Projeto de lei prevê dever de cuidado das redes sociais para proteger crianças e adolescentes

William Kevim
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Brasília – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que colocará em pauta nos próximos dias o Projeto de Lei 2.628/2022, que cria regras específicas para redes sociais e serviços digitais com o objetivo de resguardar crianças e adolescentes.

A proposta, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), voltou ao centro das discussões depois que o humorista Felca divulgou um vídeo sobre a exposição de menores na internet, gerando forte repercussão. Lideranças da oposição ameaçam obstruir a votação caso o texto inclua dispositivos que considerem “censura”.

Dever de cuidado e retirada rápida de conteúdo

O PL estabelece o chamado dever de cuidado, que obriga as plataformas a adotar mecanismos para prevenir danos a usuários menores de idade e responsabiliza empresas que se omitirem. Entre as exigências está a remoção imediata, sem necessidade de ordem judicial, de materiais identificados como exploração ou abuso sexual infantil.

Também estão previstos:

  • verificação obrigatória de idade para acesso a conteúdo pornográfico;
  • proibição da venda de “caixas de recompensa” em jogos eletrônicos;
  • restrições à publicidade direcionada a crianças.

Impacto sobre o modelo de negócios

Para Maria Mello, coordenadora do Instituto Alana, o texto é “o mais robusto e maduro” entre as propostas em tramitação. Segundo ela, o foco é o desenho das plataformas – tempo de tela, coleta de dados e recomendações personalizadas – com a premissa de colocar a segurança dos menores acima do lucro das empresas.

Mello observa que a iniciativa se distancia de debates sobre moderação de conteúdo ao concentrar-se na arquitetura dos serviços, o que, em sua avaliação, afasta o risco de rotulá-la como censura. “As plataformas devem priorizar a proteção de crianças e adolescentes, prevenindo a exploração e mitigando danos à saúde”, afirma.

Referências internacionais

A especialista cita experiências de outros países: a Austrália proíbe menores de 16 anos em redes sociais; no Reino Unido, norma recente exige verificação etária e retirada de material nocivo; e na África, a União Africana aprovou diretrizes que garantem segurança, privacidade e participação online para jovens.

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Imagem: g1.globo.com

Estratégias consideradas nocivas

Relatório do deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI) aponta práticas adotadas por aplicativos para manter usuários conectados – notificações constantes, rolagem infinita e recomendações personalizadas – como prejudiciais ao público infantojuvenil.

“É preciso uma aldeia inteira”

Mello defende que a proteção não depende apenas de lei, mas de uma ação conjunta entre famílias, sociedade e Estado, conforme prevê a Constituição de 1988. Ela ressalta a importância de letramento digital dos responsáveis e de maior supervisão parental sobre o uso das plataformas.

O PL 2.628/2022 aguarda inclusão na ordem do dia do plenário da Câmara. Caso aprovado sem alterações, seguirá para sanção presidencial.

Com informações de g1.globo.com

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.