PIX x Zelle: veja as diferenças após Trump criticar sistema brasileiro

Claudio Vasconcelos
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Eduardo Bolsonaro comparou o PIX ao Zelle americano em meio a críticas de Trump ao Brasil. Entenda o que diferencia os dois sistemas e por que a disputa vai além da tecnologia.

Recentemente, o Zelle, sistema de pagamentos dos Estados Unidos, se tornou assunto nas redes sociais após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro compará-lo ao PIX em uma entrevista à rádio TMC.

A declaração surge em um contexto de críticas do governo Donald Trump ao sistema brasileiro, alegando que o Brasil favorece o PIX em detrimento de empresas norte-americanas. Mas, afinal, quais são as diferenças entre essas duas ferramentas?

O PIX é um sistema de pagamentos instantâneos que foi desenvolvido e lançado pelo Banco Central do Brasil em 2020. Como uma ferramenta pública, o Banco Central é responsável pela regulação e pela infraestrutura necessária para o seu funcionamento.

Por outro lado, o Zelle, cuja pronúncia é “Zell”, foi lançado em 2017 como uma iniciativa privada do sistema bancário dos Estados Unidos. Criado pela Early Warning Services, empresa de tecnologia financeira controlada por grandes bancos como Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo, o Zelle opera com uma estrutura diferente.

Uma das principais diferenças entre os sistemas é a integração. O Banco Central do Brasil estuda a possibilidade de permitir transferências diretas do PIX para contas no exterior, mas atualmente, tanto o PIX quanto o Zelle estão limitados a operações entre contas nacionais.

Enquanto o PIX pode ser utilizado em qualquer banco ou instituição financeira autorizada, o Zelle é restrito apenas às instituições que fazem parte do sistema. De acordo com dados, o Zelle está disponível em mais de 2.400 aplicativos de bancos e cooperativas de crédito.

Em termos de uso, o PIX é empregado por cerca de 80% da população brasileira, totalizando mais de 170 milhões de pessoas. O Zelle, por sua vez, é mais focado em transferências entre pessoas e pequenas empresas.

O PIX pode ser utilizado em diversas situações do dia a dia, como:

– Pagamentos em estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços;

– Pagamentos entre empresas;

– Recolhimento de receitas públicas e contribuições;

– Pagamento de cobranças e faturas, como contas de serviços públicos.

Além disso, o uso do PIX é gratuito para pessoas físicas e geralmente tem um custo menor para empresas. Em contrapartida, o Zelle pode ter tarifas, dependendo do banco ou cooperativa de crédito. Uma pesquisa do terceiro trimestre do ano passado indicou que quase todos os bancos que disponibilizam o Zelle não cobram taxas dos consumidores.

Outra diferença importante é a agilidade nas transações. Enquanto o PIX é instantâneo, o Zelle pode levar alguns minutos para que o valor seja disponibilizado ao destinatário.

Quanto ao cancelamento de pagamentos, o Zelle permite o cancelamento de uma transação apenas se o destinatário ainda não estiver cadastrado na plataforma. Caso contrário, o dinheiro é enviado diretamente para a conta bancária do destinatário e não pode ser cancelado.

No caso do PIX, existe o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que ajuda vítimas de fraudes, embora o Banco Central ressalte que a recuperação do valor não é garantida e depende da análise do caso.

Além disso, o PIX tem uma funcionalidade que permite ao recebedor devolver valores enviados por engano diretamente pelo aplicativo do banco, facilitando a resolução de problemas.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.