Pioneiras da seleção feminina seguem formando novas gerações e podem receber reparação prevista em projeto de lei

Rafael Ramos
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Transmissão: Record

Ex-jogadoras que integraram as primeiras seleções femininas do Brasil mantêm atuação no ensino do futebol e podem ser contempladas por um projeto de lei que prevê pagamento para as gerações de 1988 e 1991. A proposta (PL 1315/2026), relacionada à Lei Geral da Copa de 2027, determina repasse de R$ 500 mil às atletas dessas turmas.

Márcia Honório da Silva, conhecida como Marcinha, é exemplo desse trabalho de base. Com cerca de 20 anos de carreira como jogadora, ela iniciou na formação de jovens no futsal do Juventus e revelou nomes que migraram ao campo profissional, como o volante Nonato (Fluminense) e o meia Rodrigo Nestor (Bahia). Há mais de duas décadas coordenando categorias de base, Marcinha hoje lidera equipes de futsal para crianças de sete a 10 anos na Sociedade Esportiva e Recreativa de Caieiras (SP), sua cidade natal, onde também treinou, no passado, o lateral-esquerdo Matheus Bidu, atualmente no Corinthians.

Marcinha integrou a primeira seleção feminina brasileira que ficou em terceiro lugar no Torneio Experimental da FIFA, realizado em 1988 na China, competição que serviu de base para a criação da primeira Copa do Mundo feminina, em 1991, no mesmo país. Ela lembra que, apesar da evolução da estrutura e da visibilidade, os valores que formam campeões — disciplina e respeito pela história — permanecem essenciais.

A iniciativa legislativa que tramita este ano inspira-se em medida adotada durante a Copa do Mundo masculina de 2014, quando 51 campeões das seleções de 1958, 1962 e 1970 foram reconhecidos financeiramente. Segundo defensoras da proposta, o pagamento representaria reparação por décadas de ausência de apoio às atletas pioneiras.

Outra ex-jogadora em atividade na formação de meninas é Rosilane Camargo Motta, a Fanta, lateral-esquerda da geração de 1988 e presente nas Copas de 1991, 1995 e 1999. Aos 60 anos, ela dá aulas no Parque Oeste, no Rio de Janeiro, e participa do projeto Rio: Capital do Futebol Feminino, que oferece aulas gratuitas em Vilas Olímpicas com base na preparação para a Copa de 2027. Fanta destacou a importância do reconhecimento às pioneiras e vê na reparação um legado para as novas gerações.

Marisa, ex-zagueira e capitã da seleção de 1988, também atua em iniciativas de fomento ao futebol feminino. As jogadoras entrevistadas consideram positiva a realização do Mundial no Brasil e esperam que o evento promova maior profissionalização de clubes e federações, investimentos nas categorias de base e estádios cheios, além de consolidar o país como organizador de competições de alto nível para a modalidade.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.