A Polícia Federal (PF) dispõe de equipamentos capazes de extrair informações armazenadas em smartphones mesmo quando o aparelho está bloqueado por senha ou completamente desligado. A utilização desses recursos foi revelada na última sexta-feira (16) pelo blog da jornalista Julia Duailibi.
Entre as tecnologias empregadas estão o Cellebrite, desenvolvido em Israel, e o Greykey, criado nos Estados Unidos. Ambos operam em iPhones (iOS) e celulares com Android e têm venda restrita a órgãos de investigação. Segundo especialistas, as licenças dos programas podem custar cerca de US$ 50 mil por ano (aproximadamente R$ 270 mil).
Primeiro passo: isolar o aparelho
Antes da extração, o dispositivo é colocado em um recipiente que atua como Gaiola de Faraday — bolsa ou caixa com revestimento metálico que impede a entrada e a saída de ondas eletromagnéticas. O objetivo é evitar qualquer conexão com internet ou rede móvel que possibilite ao proprietário apagar dados remotamente.
“O equipamento continua ligado, mas não consegue se comunicar com Wi-Fi nem com a antena da operadora, o que garante a preservação das evidências”, explica o perito em segurança digital Wanderson Castilho.
Duas abordagens de extração
1. Aparelho bloqueado
Quando o smartphone está ligado, porém protegido por senha, ferramentas como Greykey e Cellebrite tentam descobrir o código de desbloqueio por força bruta. A conexão é feita via cabo USB e, uma vez quebrada a barreira, arquivos, mensagens e demais dados são descarregados para análise.
2. Aparelho desligado ou danificado
Se o telefone não liga ou sofreu danos físicos, recorre-se ao método chip off. Nessa técnica, componentes internos — principalmente o chip de memória — são retirados da placa. Em seguida, os técnicos aplicam pulsos elétricos e transferem o conteúdo para outro dispositivo, possibilitando a leitura das informações.
Velocidade é essencial
A PF procura realizar a perícia o mais rápido possível. Embora arquivos e mensagens permaneçam gravados, dados temporários — como o registro da senha de bloqueio — ficam guardados apenas na memória volátil. “Há ferramentas que localizam essa senha com muito mais facilidade enquanto o aparelho não foi reiniciado”, observa Castilho.
Para dificultar esse tipo de acesso, alguns modelos de celular executam reinicialização automática após três dias de inatividade. A empresa responsável pelo Greykey informou em 2024 que atualização recente do iPhone adota esse procedimento, tornando o desbloqueio mais trabalhoso.
Cellebrite UFED — módulo físico que se conecta ao smartphone — e atualizações regulares de software complementam o trabalho dos peritos, aumentando a taxa de sucesso nas investigações conduzidas pela PF.
Ao fim da operação, todo o material coletado segue para análise técnica, etapa que visa confirmar a autenticidade dos arquivos e identificar elementos que possam servir como prova em processos judiciais.
Com informações de G1
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