Palestras de Peter Thiel sobre “anticristo” em Roma provocam desconforto na Igreja Católica

William Kevim
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O empresário bilionário Peter Thiel, cofundador do PayPal e da Palantir Technologies, realizou em Roma, entre domingo (15) e quarta-feira (18), uma série de encontros privados dedicados ao tema do “anticristo”. A proximidade das palestras com o Vaticano desencadeou reações de religiosos e de veículos vinculados à Igreja Católica.

De acordo com o jornal The New York Times, o crachá distribuído aos convidados identificava a conferência como “O Anticristo Bíblico”. Embora Thiel já tenha organizado iniciativas semelhantes em São Francisco e Paris, esta foi a primeira vez que o evento ocorreu a poucos quilômetros da Santa Sé, fator que ampliou a atenção de membros do clero.

Críticas vindas do Vaticano

Na véspera da chegada de Thiel à capital italiana, o padre Paolo Benanti — conselheiro do papa Francisco para temas de inteligência artificial — publicou um ensaio intitulado “Heresia americana: Peter Thiel deveria ser queimado na fogueira?”. No texto, Benanti descreveu o empresário como um “teólogo político” do Vale do Silício e acusou suas ideias de representarem um desafio aos fundamentos do convívio liberal contemporâneo.

Além do artigo de Benanti, um jornal da Conferência Episcopal Italiana editou reportagens que questionaram a influência de líderes de tecnologia na definição de regras éticas. As publicações defenderam que governos mantenham supervisão democrática sobre plataformas digitais e combatam a desinformação, em vez de deixar tais decisões exclusivamente nas mãos de executivos do setor.

Debate restrito a convidados

Os encontros ocorreram em local não divulgado, sem acesso do público ou da imprensa. Segundo os organizadores, participaram representantes dos meios acadêmico, tecnológico e religioso. O The New York Times relatou a presença de pelo menos um sacerdote entre os convidados.

Durante as exposições, Thiel apresentou cenários nos quais uma figura dotada de atributos associados ao anticristo surgiria prometendo instaurar um governo mundial único para evitar ameaças como guerras nucleares, avanços descontrolados da inteligência artificial e mudanças climáticas. Ele afirma basear essas projeções em profecias bíblicas.

Interesse crescente por temas espirituais

Nos últimos anos, o investidor ampliou o foco em questões religiosas e filosóficas, paralelamente a sua atuação em tecnologia e política. Autoridades católicas, contudo, demonstram preocupação com a influência de magnatas do setor ao debater assuntos considerados teológicos fora do escopo acadêmico tradicional.

Embora não haja pronunciamento oficial do Vaticano sobre a conferência, o desconforto manifestado por membros do clero sugere que discussões semelhantes em território próximo à Santa Sé devem continuar sob vigilância. Até o momento, Thiel não comentou publicamente as críticas nem sinalizou alterações em futuros eventos.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.