ONG lança agenda para pressionar candidatos por segurança real nas eleições

Claudio Vasconcelos
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O Instituto Sou da Paz quer acabar com promessas vazias na segurança pública. A campanha 'Vote pela Paz' cobra planos concretos e metas reais dos candidatos para reduzir a violência no Brasil.

O Instituto Sou da Paz lançou, nesta terça-feira (9), a campanha Vote pela Paz e a agenda eleitoral intitulada “Brasil em Ação pela Paz – Propostas para uma Segurança Pública de Verdade”. O objetivo desta iniciativa é qualificar o debate eleitoral e pressionar as candidaturas a apresentarem planos consistentes, metas e compromissos reais para a redução da violência no país. Essa proposta se contrapõe a abordagens que se baseiam no improviso e no populismo.

Carolina Ricardo, diretora-executiva do Sou da Paz, destacou a insatisfação da população com promessas simplistas na área de segurança pública.

“A população está cansada de frases de efeito, improviso e promessas simplistas na área da segurança pública. O que as pessoas querem é resultado concreto, proteção no cotidiano e políticas que funcionem de verdade. O período eleitoral é uma oportunidade importante para elevar a qualidade desse debate”, afirmou Carolina.

Embora alguns indicadores nacionais tenham mostrado melhora, como a queda nos homicídios, o Instituto ressalta que o Brasil ainda enfrenta uma realidade alarmante, com mais de 44 mil mortes violentas por ano. Além disso, o crime organizado continua a se expandir, e há um aumento nas fraudes e extorsões digitais, além do medo crescente de roubos, especialmente de celulares, e da violência contra meninas e mulheres.

A agenda de propostas do Sou da Paz inclui ações aplicáveis nos âmbitos estadual e federal, organizadas em cinco eixos prioritários: proteção de meninas e mulheres; fortalecimento das polícias; enfrentamento ao crime organizado; redução dos roubos; e retirada de armas ilegais de circulação.

Essas propostas enfatizam a valorização dos profissionais de segurança, o fortalecimento da investigação criminal, o uso responsável de tecnologia, a integração entre instituições e o combate ao tráfico de armas.

Uma pesquisa realizada pelo Sou da Paz revelou que 94% da população percebe algum nível de violência em suas cidades, com mais da metade (53%) evitando sair à noite e um terço (31%) evitando o uso de celular na rua como forma de autoproteção.

Carolina também comentou sobre a expectativa da sociedade por soluções eficazes:

“A sociedade quer firmeza, mas quer firmeza que funcione. Existe uma maioria favorável a soluções inteligentes, ao uso de tecnologia, à investigação e à profissionalização das polícias. O desafio agora é transformar essa demanda social em compromisso político concreto”, explica Carolina.

A pesquisa ainda aponta que 82% dos entrevistados acreditam que câmeras corporais protegem os bons policiais e geram provas contra criminosos; 73% consideram que mais armas resultam em mais mortes e violência; e 65% afirmam que o foco deve ser uma polícia melhor e mais preparada, e não um aumento no número de policiais.

Sobre o crime organizado, que movimentou mais de 350 bilhões de reais nos últimos três anos, Carolina destacou a necessidade de uma abordagem mais ampla, que inclua o sistema financeiro no debate e investigue práticas como lavagem de dinheiro.

Além disso, a agenda propõe fortalecer a integração entre instituições como Receita Federal, Polícia Federal, Banco Central, Ministério Público e polícias estaduais para desenvolver estratégias conjuntas contra a lavagem de dinheiro e mercados ilícitos.

Outra medida sugerida é o reordenamento da ação policial, priorizando investigações e o investimento em inteligência, visando sufocar as organizações criminosas em suas bases financeiras e de comando. O Sou da Paz defende que operações de incursão territorial devem ser consideradas apenas em condições de segurança reais para a população e para os policiais.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.