Mulheres são maioria do eleitorado e reforçam peso do voto nas eleições

Claudio Vasconcelos
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Após décadas de mobilização pelo direito ao voto, mulheres representam 53% do eleitorado brasileiro. Jovens de 16 a 18 anos também chegam às urnas para exercer a cidadania pela primeira vez.

A história do voto feminino no Brasil é marcada por uma série de lutas. Reconhecido em 1932, no novo Código Eleitoral, o voto das mulheres foi mantido como facultativo até 1965, quando, enfim, passou a ser obrigatório, assim como o dos homens.

Atualmente, as mulheres representam 53% do eleitorado nas eleições deste ano. Entre as mais jovens, de 16 a 18 anos, elas correspondem a 2% do total. Bruna Teles, uma estudante de 18 anos, expressa sua empolgação por ter a oportunidade de votar pela primeira vez.

“Eu gosto bastante do pensamento de que eu agora posso participar ativamente de alguma coisa no meu país. Escolher quem são as pessoas que vão me representar, de acordo com as minhas ideias, com o que eu acredito”.

A estudante Isabella Souza, também de 18 anos, ressalta que a luta pela voz das mulheres na política ainda é necessária.

“A gente ainda vê por aí pessoas contra o voto feminino! Mulheres contra o voto feminino! E, também, na sociedade hoje em dia a gente consegue ver várias situações de machismo e de misoginia. As mulheres também fazem parte da sociedade, então é importante que elas tenham voz para falar o que elas acham”.

Gerações de mulheres lutaram para que as cerca de 84 milhões de eleitoras no país possam exercer seu direito ao voto como cidadãs. Entre as ativistas pelo voto feminino no Brasil, destacam-se a educadora potiguar Nísia Floresta, pioneira na defesa da autonomia das mulheres no século 19, e a dentista Isabel de Souza Mattos, que conseguiu o registro de eleitora em 1887, no Rio Grande do Sul, a partir de uma brecha na Lei Saraiva.

Apesar de ter obtido o registro, Isabel foi proibida de votar nas eleições para a Assembleia Constituinte em 1890.

Em 1910, a baiana Leolinda Daltro fundou o Partido Feminino Republicano. A jornalista e pesquisadora Cibele Tenório comenta sobre a estratégia de Leolinda em um período em que as mulheres eram impedidas de votar.

“Ela tinha um grupo de mulheres que conseguiu arregimentar e elas frequentavam as sessões no congresso, participavam de audiências, eram sempre presentes. Era um feminismo de fato. Elas não faziam costuras, era mesmo para fazer uma provocação”.

Outra figura fundamental na conquista do voto feminino foi Bertha Lutz, que, após conhecer as sufragistas na França, fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino em 1922. Esse movimento lutou pela inclusão do voto feminino no código eleitoral.

A historiadora Teresa Cristina de Novaes Marques destaca o pioneirismo das eleitoras no Rio Grande do Norte, onde em 1928, duas professoras, Celina Guimarães e Júlia Barbosa, votaram para eleger seus representantes no Senado Federal, embora seus votos tenham sido anulados.

Em 1931, integrantes da federação de Bertha Lutz se reuniram com o presidente Getúlio Vargas. Após ouvir o apelo dessas mulheres, o governo publicou o decreto do novo Código Eleitoral em fevereiro de 1932.

Bertha Lutz era acompanhada por várias líderes, incluindo Almerinda Gama, uma sufragista negra que se destacou no movimento.

“Ela era uma assessora de imprensa do movimento feminista, muito habilidosa na escrita. Almerinda é carismática e conseguia emplacar coisas nos jornais pela amizade que ela foi fazendo nos lugares. Esse trabalho da Almerinda ajudou a construção do clima favorável para que o Getúlio, em 32, banque a decisão de incluir as mulheres”.

Em 1933, mulheres acima de 21 anos e alfabetizadas puderam votar pela primeira vez, mas o voto ainda era facultativo. Somente em 1965 o voto feminino tornou-se obrigatório, assim como o masculino. O direito ao voto para mulheres analfabetas foi conquistado em 1985, com o fim da ditadura militar, quando os analfabetos foram incluídos em uma emenda à Constituição.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.