MPT e MPF flagam sobrecarga e falta de pessoal em hospital de Lagarto

Rafael Ramos
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Foco SE

Inspeção no Hospital Universitário de Lagarto apontou condições críticas de trabalho. Investigação conjunta identificou falhas estruturais e déficit de profissionais na unidade do Centro-Sul sergipano.

Uma recente inspeção realizada pelo Ministério Público do Trabalho em Sergipe (MPT-SE) e pelo Ministério Público Federal (MPF) revelou indícios de sobrecarga de trabalho, falta de profissionais e problemas estruturais no Hospital Universitário de Lagarto (HUL/UFS), localizado no Centro-Sul do estado. A diligência aconteceu na quarta-feira, dia 17, e faz parte de investigações sobre as condições de trabalho na unidade.

A ação envolveu membros dos dois órgãos, com o apoio de um perito e a participação de representantes do hospital, da HU Brasil, do Hospital do Amor e do Sindicato dos Trabalhadores de Empresas Públicas de Serviços Hospitalares de Sergipe (Sindserh/SE).

De acordo com o MPT-SE, a inspeção está relacionada a procedimentos que investigam o dimensionamento das equipes, a organização do trabalho e os riscos psicossociais enfrentados pelos profissionais da saúde.

Logo no início da visita, os procuradores ouviram relatos de trabalhadores sobre a pressão constante, a alta demanda e os afastamentos frequentes devido a problemas de saúde. A vice-procuradora-chefa do MPT-SE, Clarisse Farias Malta, afirmou:

“Durante a diligência, foram observadas situações que merecem aprofundamento no âmbito dos procedimentos em curso, entre elas relatos de sobrecarga de trabalho, déficit de profissionais em determinados setores, afastamentos por adoecimento e dificuldades enfrentadas pelas equipes assistenciais diante da elevada demanda da unidade hospitalar.”

Ela complementou que os trabalhadores relataram pressão constante, elevada demanda de atendimento e afastamentos frequentes de colegas por problemas de saúde, incluindo questões relacionadas à saúde mental.

A equipe também identificou problemas na estrutura da unidade, como uma área de isolamento improvisada para pacientes, irregularidades em espaços de refeição e dormitórios com colchões danificados.

O MPF já havia recomendado ao hospital e à HU Brasil a adoção de medidas como a adequação das escalas médicas, a garantia de cobertura de plantões e especialidades, o controle de frequência por biometria e a reorganização dos fluxos assistenciais.

Durante a visita, houve ainda uma reunião com o reitor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), André Maurício Souza, e representantes das instituições envolvidas. O objetivo do encontro foi discutir as irregularidades e as ações adotadas para reduzir riscos ocupacionais.

Segundo a procuradora Clarisse Farias Malta, a unidade ainda não apresentou dados suficientes sobre os impactos da organização do trabalho na saúde dos profissionais. Ela destacou:

“Chamou atenção a ausência de dados consolidados sobre adoecimento mental, especialmente com recorte por setor e categoria profissional, bem como a falta de elementos que permitam avaliar os impactos da atual organização do trabalho sobre a saúde dos trabalhadores.”

Os órgãos continuarão analisando os dados coletados na inspeção para definir as próximas etapas das investigações.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.