O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recebeu uma notícia-fato para apurar a suposta comercialização clandestina de ingressos no camarote 3A do estádio MorumBis, pertencente ao São Paulo Futebol Clube. O clube ainda não foi notificado e, até o momento, não se manifestou oficialmente.
Como a denúncia chegou ao Ministério Público
A representação foi protocolada pelo grupo Frente Democrática em Defesa do São Paulo após divulgação de áudios obtidos pelo portal ge. Nas gravações, os então diretores licenciados Mara Casares e Douglas Schwartzmann pressionam Rita de Cassia Adriana Prado, da empresa The Guardians Entretenimento Ltda, para que retire um processo judicial relacionado ao caso.
Segundo a denúncia, o camarote 3A — conhecido como Sala Presidencial e localizado em frente ao gabinete do presidente Júlio Casares — não é ofertado comercialmente pelo clube. Ainda assim, teria sido cedido a intermediários que revenderam ingressos. O MP-SP analisa se há elementos suficientes para instaurar inquérito.
Pontos destacados pela Frente Democrática
Em nota, o grupo afirma que os fatos indicam “exploração clandestina de camarotes, obtenção de vantagens econômicas indevidas e tentativa de coação no curso de processo judicial”, o que violaria princípios de legalidade, moralidade e transparência.
A Frente Democrática já havia recorrido ao MP em outra ocasião, após denúncia anônima que questionava temas como:
- venda de atletas das categorias de base abaixo do valor de mercado;
- déficit de R$ 287 milhões previsto para 2024;
- suposto processo ilícito na parceria com a Galápagos no Fundo de Cotia;
- eventual conflito de interesses envolvendo o filho do presidente Júlio Casares e o agente Aref Abdul Latif.
Entenda o impasse judicial
Rita de Cassia Adriana Prado processou Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda, por supostamente não repassar R$ 32 mil de um total de R$ 132 mil referentes à venda de 60 ingressos para um show da cantora Shakira. O processo tornou público que os bilhetes teriam sido obtidos de forma irregular, motivando a intervenção dos dirigentes licenciados.
Mara Casares alega que os áudios estão fora de contexto e nega ter obtido qualquer benefício financeiro. Douglas Schwartzmann diz não ter participado de negociações de camarotes e que apenas tentou evitar prejuízos à imagem do clube.
Medidas internas do clube
O São Paulo abriu duas sindicâncias para investigar o episódio: uma conduzida pelos departamentos Jurídico e de Compliance e outra sob responsabilidade de escritórios de auditoria independentes. O presidente Júlio Casares afirmou que o resultado das apurações será tratado com rigor e sem favorecimentos.
Os procedimentos foram solicitados pelo superintendente Márcio Carlomagno, citado nos áudios, que afirma ter tido o nome usado indevidamente.
O Ministério Público analisa os documentos encaminhados e decidirá se abre inquérito para aprofundar a investigação.
Fonte: Futebol Interior
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