O Ministério Público de Sergipe (MPSE) convocou, na quinta-feira, 19, uma reunião com representantes da Federação Sergipana de Futebol (FSF), da Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol de Sergipe (CEAF/SE) e com a equipe de arbitragem que sofreu ofensas durante a partida entre Itabaiana e América de Propriá, realizada em 8 de março.
O encontro ocorreu na sede do MPSE e foi conduzido pelo procurador de Justiça Deijaniro Jonas Filho e pela promotora de Justiça Verônica Lazar, que dirige o Centro de Apoio Operacional dos Direitos da Mulher (CAOp). O objetivo foi acolher as profissionais hostilizadas e, ao mesmo tempo, cobrar providências administrativas e disciplinares das entidades esportivas diante das agressões verbais registradas em campo.
Na ocasião, o MPSE solicitou formalmente que FSF e CEAF/SE apresentem, em prazo a ser definido, relatório detalhado sobre as medidas já iniciadas ou programadas para responsabilizar os autores dos insultos. De acordo com relatos, os xingamentos partiram de integrantes da comissão técnica do América de Propriá e ocorreram justamente no Dia Internacional da Mulher, quando toda a equipe de arbitragem era formada por mulheres.
Participaram da audiência o diretor de Competições da FSF, Gleyson Prado, e o presidente da CEAF, Emerson Fontes, além das árbitras Vanessa Santos Azevedo, Amanda Santos Oliveira, Fernanda Francielen de Lima e Tamires Prata Bragança — todas integrantes da equipe escalada para o confronto do Campeonato Sergipano.
Durante a reunião, Verônica Lazar apontou que ataques dessa natureza ferem a dignidade das profissionais e configuram violência de gênero. “É inadmissível que profissionais sofram ofensas no exercício de suas funções, especialmente numa data que simboliza conquistas femininas”, afirmou a promotora, reforçando que o Ministério Público acompanhará cada etapa do processo.
O presidente da CEAF, Emerson Fontes, agradeceu o apoio institucional e declarou que a presença do MPSE é fundamental para garantir a permanência e o respeito às mulheres na arbitragem. Segundo ele, a federação já foi acionada para abrir procedimentos internos contra os responsáveis.
A árbitra Tamires Prata Bragança relatou o impacto emocional sofrido pela equipe. “Foi um dia que deveria ser histórico positivamente para nós, mas acabou marcado por xingamentos de todos os tipos. Sentimo-nos feridas, mas também acolhidas pela postura do Ministério Público em buscar respostas”, disse.
Ao final da reunião, o MPSE avisou que continuará monitorando o caso tanto na esfera da Justiça Desportiva quanto em outras instâncias competentes, a fim de coibir condutas misóginas e assegurar condições de trabalho seguras às profissionais da arbitragem.
Com informações de Fsf Se
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