Movimentação militar dos EUA próximo à Venezuela provoca reação de países latino-americanos

Robson Alves
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A possibilidade de uma operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela aumentou a tensão política na América Latina e no Caribe. Informações atribuídas a fontes do Pentágono, divulgadas por Reuters e CNN nos últimos dias, indicam o envio de cerca de 4 mil soldados distribuídos em três porta-aviões para a costa venezuelana, oficialmente para combater o narcotráfico.

Representantes de governos da região criticaram a hipótese de intervenção. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, declarou que o país tem meios para se defender e advertiu que qualquer ofensiva teria consequências em todo o continente.

Preocupação em Brasília

Em audiência na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (20), o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, embaixador Celso Amorim, afirmou ver com “grande preocupação” a aproximação de navios de guerra norte-americanos.

“A não intervenção é um princípio histórico da política externa brasileira. Mesmo durante o regime militar, o Brasil rejeitou incursões estrangeiras. Barcos de guerra tão próximos à costa venezuelana nos inquietam”, declarou, acrescentando que o crime organizado deve ser enfrentado por meio de cooperação e não de ações unilaterais.

Casa Branca fala em combate ao narcotráfico

A movimentação militar ainda não foi confirmada oficialmente por Washington. No entanto, a porta-voz Karoline Leavitt afirmou na terça-feira (19) que o presidente Donald Trump está disposto a usar “todo o poder americano” para impedir a entrada de drogas nos EUA. Ela classificou o governo Maduro como “cartel de narcoterrorismo” e disse que o líder venezuelano, acusado de tráfico de drogas, não é reconhecido como presidente legítimo pelos Estados Unidos.

No início de agosto, o New York Times noticiou que Trump autorizou o Pentágono a conduzir operações contra o narcotráfico em países latino-americanos. Na mesma linha, a recompensa oferecida por Washington por informações que levem à captura de Maduro foi elevada de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões.

Ceticismo sobre rota da droga

Estudos questionam o peso da Venezuela no fluxo de entorpecentes para o mercado norte-americano. Segundo relatório da ONG Washington Office on Latin America (Wola), apenas 7 % da cocaína que chega aos EUA utiliza o litoral venezuelano; cerca de 90 % seguiria pelas rotas do Caribe Ocidental e do Pacífico Oriental.

Resposta de Caracas

O governo venezuelano nega a existência do chamado Cartel de los Soles, considera as acusações um pretexto para intervenção e afirma que pode mobilizar até 4,5 milhões de milicianos em apoio às Forças Armadas. Em nota, a chancelaria de Caracas advertiu que as ameaças colocam em risco a paz de toda a região e violam a “Zona de Paz” declarada pela Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

Reações em México e Colômbia

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, rejeitou qualquer ação externa que fira a soberania dos países latino-americanos, embora defenda cooperação no combate ao narcotráfico. Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro alertou que uma ofensiva contra Caracas poderia arrastar a região para um conflito semelhante ao da Síria, afetando diretamente seu país.

Análise sobre capacidade militar

Para o pesquisador de conflitos armados Rodolfo Queiroz Laterza, as Forças Armadas venezuelanas dispõem de equipamentos relativamente modernos, mas insuficientes para deter um ataque norte-americano. O especialista avalia que, de modo geral, as forças latino-americanas possuem baixa capacidade de dissuasão frente aos EUA.

As discussões sobre uma eventual intervenção seguem sem confirmação oficial, mas já provocam forte debate diplomático e expõem a polarização política na região.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.