Ministra Esther Dweck diz que estatais são patrimônio nacional e anuncia plano para reestruturar Correios

Rafael Ramos
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A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou nesta segunda-feira, 15 de dezembro de 2025, que as empresas estatais não representam peso para o país, mas sim “patrimônio do povo brasileiro”. A declaração ocorreu durante o evento “Democracia e Direitos Humanos: Empresas Juntas por um Brasil Mais Igualitário”, realizado na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.

Segundo a ministra, as estatais foram fundamentais para a construção de infraestrutura, integração regional, geração de empregos e prestação de serviços essenciais, áreas nas quais a iniciativa privada “jamais teria chegado” sozinha. Ela citou ainda a contribuição dessas empresas para a soberania energética, pesquisa, inovação e crédito de longo prazo.

Críticas à privatização

Dweck contestou a ideia de que a privatização seja solução automática para problemas de gestão. Como exemplo, mencionou a concessionária Enel, responsabilizada por atrasos no restabelecimento de energia em São Paulo após temporais. “Em um bairro de classe média e baixa, pessoas ficarem dois dias sem geladeira é extremamente grave”, afirmou.

Correios em reestruturação

Sobre os Correios, a ministra informou que o governo finaliza um plano de reestruturação para a empresa, que enfrenta dificuldades de caixa. Ela lembrou que o serviço postal universal é previsto na Constituição e que a estatal precisa estar presente em todos os municípios, o que gera custos adicionais. Em outros países, disse ela, atividades complementares vêm sendo incorporadas para sustentar o serviço.

Dweck observou que a crise se agravou após a inclusão dos Correios em listas de possíveis privatizações por gestões anteriores, o que teria inibido investimentos.

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Investimentos das estatais

A ministra destacou que 23 estatais monitoradas pelo Banco Central investiram R$ 12,5 bilhões nos primeiros 2,5 anos do atual governo, quase seis vezes os R$ 2,1 bilhões aplicados no mesmo período da administração anterior. Ela também criticou analistas que “confundem déficit com prejuízo”, ao explicar que empresas podem ter lucro e, ainda assim, apresentar déficit contábil caso usem recursos de caixa para novos investimentos.

Direitos humanos e diversidade

O encontro no BNDES reuniu representantes do poder público, empresas e organizações da sociedade civil. A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, defendeu um pacto entre setor privado e direitos humanos. “Nós não somos inimigos das empresas; queremos que sejam agentes de transformação”, declarou.

Por videoconferência, a presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, apresentou iniciativas de diversidade, como o programa de trainee exclusivo para pessoas negras lançado em 2020, que gerou críticas iniciais e posteriormente recebeu prêmios internacionais.

Posicionamento sobre cotas

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, repudiou o projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina que proíbe cotas raciais em universidades estaduais. Ex-ministro da Educação, ele classificou a medida como “inaceitável” e lembrou que o último concurso do banco reservou 30% das vagas para candidatos negros.

Fonte: Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.