Ministério da Saúde mantém vacina contra herpes-zóster fora do SUS

Claudio Vasconcelos
3 Min Leitura

O Ministério da Saúde decidiu não incluir a vacina recombinante adjuvada para prevenção do herpes-zóster na lista de imunizantes oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medida consta da Portaria SCTIE/MS nº 3, publicada em 8 de janeiro de 2026 no Diário Oficial da União.

A deliberação baseia-se em parecer da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que considerou o imunizante financeiramente inviável diante do impacto previsto no orçamento público.

O relatório da Conitec avalia que, para atender 1,5 milhão de pessoas por ano — público estimado em idosos com 80 anos ou mais e indivíduos imunocomprometidos a partir de 18 anos — o gasto anual seria de R$ 1,2 bilhão. No quinto ano, restariam 471 mil pessoas a serem vacinadas, o que acrescentaria R$ 380 milhões. O investimento total projetado para cinco anos chegaria a R$ 5,2 bilhões, valor classificado como “não custo-efetivo”.

Apesar de reconhecer a relevância da vacina, o Comitê de Medicamentos da Conitec afirmou que “considerações adicionais sobre a oferta de preço precisam ser negociadas para viabilizar impacto orçamentário sustentável para o SUS”.

A portaria prevê nova análise caso sejam apresentados dados ou condições que modifiquem o resultado atual.

Entenda o herpes-zóster

O herpes-zóster é provocado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente e pode ser reativado, sobretudo em pessoas idosas ou com baixa imunidade.

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Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil

Sintomas iniciais incluem queimação, coceira, sensibilidade cutânea, febre baixa e cansaço. Em seguida surgem manchas vermelhas que evoluem para bolhas cheias de líquido, restringindo-se a um lado do corpo ao longo de um nervo. O processo costuma durar de duas a três semanas, podendo gerar complicações na pele, no sistema nervoso, nos olhos e nos ouvidos.

Assistência disponível no SUS

Para casos leves, o SUS oferece tratamento sintomático com medicamentos para dor, febre e coceira, além de orientações sobre cuidados locais. Em situações de maior risco — como em idosos e pessoas imunocomprometidas — o antiviral aciclovir é indicado.

Dados dos sistemas de informação ambulatorial e hospitalar do SUS apontam 85.888 atendimentos e 30.801 internações por herpes-zóster entre 2008 e 2024. No mesmo período, o Sistema de Informações sobre Mortalidade registrou 1.567 óbitos entre 2007 e 2023, taxa de 0,05 morte por 100 mil habitantes; 90% das vítimas tinham 50 anos ou mais, sendo 53,4% acima de 80 anos.

Fonte: Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.