A Microsoft comunicou nesta quinta-feira, 25 de setembro de 2025, o cancelamento de contratos que mantinha com o Ministério da Defesa de Israel. A medida foi tomada depois de o jornal britânico The Guardian revelar que uma solução em nuvem da empresa vinha sendo utilizada para monitorar em massa a população palestina.
Em carta enviada aos funcionários, o presidente da companhia, Brad Smith, afirmou ter encontrado “evidências que confirmam elementos” da reportagem publicada no início de agosto. “Estamos agindo para garantir a conformidade com nossos termos de serviço, com foco em impedir que nossos produtos sejam empregados na vigilância em massa de civis”, destacou.
O executivo ressaltou que a decisão não interfere no “importante trabalho de proteção cibernética” que a Microsoft realiza em Israel e em outros países do Oriente Médio. Smith também reiterou que a empresa “não fornece tecnologia destinada a facilitar a vigilância em massa de civis”, princípio que, segundo ele, é aplicado globalmente há mais de duas décadas.
Alegações de armazenamento de chamadas
Reportagem do The Guardian, publicada em 6 de agosto, apontou que as Forças de Defesa de Israel utilizariam a plataforma Azure para armazenar em servidores europeus até 1 milhão de chamadas telefônicas por hora feitas por palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. O acervo, descrito como “quase ilimitado”, teria auxiliado na preparação de ataques aéreos e no planejamento de operações militares nas duas regiões.
Na ocasião, a Microsoft declarou que não tinha acesso aos dados tratados pelo governo israelense, citando compromissos de privacidade assumidos com seus clientes.
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Críticas de especialistas
Para o sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e estudioso de tecnologias digitais, o comunicado da empresa não esclarece quais barreiras efetivas impedem o uso militar de suas soluções. “A Microsoft afirma não armazenar dados obtidos na vigilância de palestinos. Como pode ter essa certeza? Big techs oferecem sistemas de inteligência artificial para fins de segurança e defesa há anos”, comentou.
Big techs e conflitos armados
Amadeu classifica as grandes empresas de tecnologia como parte do “complexo militar-industrial” dos Estados Unidos e aliados. Segundo ele, a inteligência artificial permite cruzar informações de redes sociais, bases geográficas e registros telefônicos para identificar presumidos militantes ou simpatizantes do Hamas, possibilitando ataques fora das áreas de combate.
Posição das Nações Unidas
Em julho, a relatora especial da ONU para os Direitos Humanos nos Territórios Palestinos, Francesca Albanese, criticou o apoio de corporações — entre elas Microsoft, Alphabet (Google) e Amazon — à instalação de assentamentos israelenses na Cisjordânia e a operações militares em Gaza. Para a especialista, várias empresas “lucram com a economia de ocupação ilegal, apartheid e, agora, genocídio” na região.
Com o encerramento dos contratos, a Microsoft informou que seguirá monitorando a utilização de suas tecnologias para assegurar o cumprimento de políticas internas de direitos humanos.
Fonte: Agência Brasil
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