Mercosul e União Europeia firmam acordo de livre-comércio após 26 anos de negociação

Robson Alves
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Líderes sul-americanos e europeus oficializaram, no sábado (17), em Assunção, Paraguai, o acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, concluindo um processo de negociação iniciado em 1999.

A cerimônia reuniu chefes de Estado e autoridades dos dois blocos. Ao assinar o documento, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que o tratado reafirma o compromisso “com o comércio baseado em regras e com o multilateralismo”, ressaltando que a iniciativa chega “em momento oportuno” diante de ameaças de isolamento econômico.

A presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que a parceria conectará continentes e formará “a maior área de livre comércio do planeta”, alcançando um mercado estimado em 700 milhões de pessoas. Segundo ela, o pacto simboliza a preferência por “parcerias de longo prazo em vez de tarifas e barreiras”.

Relevância estratégica

Como anfitrião, o presidente paraguaio, Santiago Peña, classificou a data como histórica e atribuiu o avanço às “pontes de diálogo e cooperação” erguidas nos últimos anos. Ele mencionou o empenho do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva – que não viajou a Assunção por questões de agenda –, e de Ursula von der Leyen como decisivos para vencer impasses.

Representando o Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou que o tratado comprova “a força do mundo democrático” e trará benefícios concretos, como novos empregos, investimentos e maior integração produtiva. Para o chanceler, o pacto também possui “profundo sentido geopolítico” num cenário de protecionismo crescente.

O presidente argentino, Javier Milei, avaliou que o texto serve de ponto de partida para ampliar oportunidades comerciais. Ele advertiu, porém, que a inclusão de cotas ou salvaguardas na fase de implementação pode reduzir o impacto econômico previsto.

Já o mandatário uruguaio, Yamandú Orsi, descreveu a iniciativa como “associação estratégica” capaz de melhorar a vida dos cidadãos e oferecer respostas a ameaças transnacionais, como o narcotráfico. Para ele, aderir a regras claras em tempos de volatilidade global é condição essencial para o desenvolvimento.

Próximos passos

Após a assinatura, o texto seguirá para ratificação no Parlamento Europeu e nos congressos nacionais de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A parte comercial só entrará em vigor depois da aprovação legislativa, com aplicação gradual prevista para os próximos anos.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.