Mercado prevê Selic de 13,75% e inflação menor em 2026

Robson Alves
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Analistas reduziram a projeção para os juros e a inflação em 2026, segundo o Boletim Focus. PIB e dólar seguem estáveis nas estimativas do mercado.

O mercado financeiro reduziu suas expectativas para os índices de inflação e, pela primeira vez desde março, também para a taxa básica de juros. Segundo o Boletim Focus, divulgado hoje pelo Banco Central (BC), a Selic deve fechar 2026 em 13,75%.

As projeções para a economia, incluindo o PIB (Produto Interno Bruto) e o câmbio (dólar), têm se mantido estáveis há pelo menos cinco semanas, fixando-se em 1,99% e R$ 5,20, respectivamente.

É importante destacar que entidades do setor produtivo têm solicitado cortes maiores na Selic. Além disso, a prévia da inflação oficial, conforme informações do IBGE, ficou em 0,06% em julho.

Quanto às expectativas projetadas para 2027, houve uma alteração para baixo. As projeções de crescimento econômico ao final do ano mudaram de 1,60% para 1,57%, enquanto a cotação do dólar foi ajustada de R$ 5,29 para R$ 5,28.

Na semana anterior, as previsões do mercado indicavam que a Selic encerraria o ano em 14%, um valor 0,25 ponto percentual acima da nova estimativa divulgada hoje. A última vez em que as projeções do boletim mostraram uma queda foi em março de 2026, quando a mediana caiu de 12,13% para 12%.

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Atualmente, a Selic está estabelecida em 14,25%, conforme decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC em 17 de junho. Isso levanta a expectativa de, pelo menos, uma redução na taxa atual até o final de 2026. A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 4 e 5 de agosto.

As previsões para a Selic em 2027 e 2028 permanecem estáveis, com 12% e 10,5%, respectivamente.

Para atingir a meta de inflação, o Banco Central utiliza a Selic como seu principal instrumento. Quando o Copom aumenta a Selic, a intenção é conter a demanda aquecida, o que pode impactar os preços. Juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança, o que pode dificultar a expansão econômica.

Além disso, os bancos consideram outros fatores ao determinar os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a Selic é reduzida, normalmente o crédito se torna mais acessível, o que pode estimular a produção e o consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e promovendo a atividade econômica.

Na quinta semana consecutiva, o mercado financeiro diminuiu suas expectativas de inflação para 2026. De acordo com o documento do BC, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do país, deve encerrar o ano em 5,03%.

Na semana passada, as expectativas estavam em 5,12% para 2026. Há quatro semanas, a projeção era ainda maior, de 5,30%. Para os anos seguintes, as expectativas para a inflação se mantêm estáveis, com o IPCA previsto em 4,22% para 2027 e 3,80% para 2028.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.