Médicos alertam: redes sociais são tão prejudiciais a jovens quanto cigarro

Claudio Vasconcelos
4 Min Leitura

Um novo alerta de médicos britânicos destaca os riscos à saúde dos jovens associados ao uso de redes sociais, comparando esses perigos aos do cigarro. A Academy of Medical Royal Colleges, que reúne diversas entidades médicas do Reino Unido, fez essa afirmação em um documento enviado ao governo, que está realizando uma consulta pública sobre o uso de redes sociais por menores de 16 anos.

Os especialistas sugerem que é essencial que os médicos façam perguntas sobre o tempo que os jovens passam em frente a telas e sobre o uso de redes sociais durante as consultas. Embora não haja um consenso total na comunidade científica sobre os efeitos do tempo de tela em crianças, os médicos concordam que os riscos são significativos, assim como as consequências de não usar cinto de segurança ou não fumar.

A ministra de Tecnologia do Reino Unido, Liz Kendall, anunciou que novas medidas sobre o uso de redes sociais por crianças serão implementadas até o final do ano. O governo britânico está quase concluindo uma consulta pública, que recebeu 70 mil contribuições de pais, crianças e organizações sobre o tema.

Uma das opções em discussão é a proibição total do uso de redes sociais para crianças, similar ao que foi feito na Austrália. No entanto, ativistas estão divididos sobre essa abordagem, e o governo avalia uma variedade de medidas, incluindo a imposição de limites de tempo para uso e verificações de idade mais rigorosas.

“A questão não é se vamos agir. Nós vamos agir”, afirmou Kendall, ressaltando a importância de tomar decisões que realmente protejam as crianças.

A consulta pública está coletando opiniões sobre como abordar o uso de redes sociais, incluindo a possibilidade de restrições como limites de horário e a desativação de recursos que podem aumentar o tempo de uso, como a rolagem infinita.

A psiquiatra infantil Emily Sehmer enfatizou que os efeitos do uso excessivo das redes sociais são muito mais graves do que os do tabaco, destacando que as crianças estão sendo expostas a conteúdos nocivos em uma idade cada vez mais precoce. Ela defende que os profissionais de saúde devem abordar o tema sem julgamentos, reconhecendo que o uso das mídias sociais é uma parte significativa da vida dos jovens.

“Não sabemos a escala do problema se não perguntarmos”, disse Sehmer.

A consulta não se limita apenas ao uso de redes sociais, mas também inclui discussões sobre o acesso das crianças a chatbots de inteligência artificial e a necessidade de reforçar a fiscalização nas verificações de idade. Algumas organizações, como associações de policiais, apoiam a proibição de plataformas que não cumpram com as normas propostas.

Familiares de vítimas de incidentes relacionados às redes sociais também estão se mobilizando. Ellen Roome, que perdeu seu filho em um incidente relacionado a redes sociais, se reunirá com o primeiro-ministro para pedir um aumento na idade mínima para acesso a plataformas prejudiciais.

“As redes sociais são um produto que deve ser restrito até que as empresas comprovem que é seguro”, declarou Roome.

Com a crescente preocupação sobre a segurança das crianças online, o governo britânico se comprometeu a ouvir todas as opiniões antes de tomar decisões definitivas. As medidas discutidas têm o potencial de impactar significativamente a forma como as crianças interagem com a tecnologia e as redes sociais.

Compartilhe essa Notícia
Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.