Centenas de pessoas ocuparam as ruas do centro de Milão na tarde de sexta-feira, 6 de fevereiro, para protestar contra a suposta atuação de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) durante os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026.
Portando faixas com dizeres como “ICE FORA” e “ICE deveria estar nas minhas bebidas, não na minha cidade”, os manifestantes entoaram coros, acionaram apitos de plástico — símbolo dos atos anti-ICE nos EUA — e acenderam sinalizadores. O ato foi liderado, em grande parte, por estudantes, que contestam tanto a presença dos agentes norte-americanos quanto o bloqueio de vias decretado pelas autoridades locais para a cerimônia de abertura.
Os protestos ganharam força após relatos de que integrantes do ICE teriam desembarcado na Itália para proteger cidadãos dos Estados Unidos durante o evento esportivo. Na avaliação dos participantes, a possível participação da agência na segurança internacional é incompatível com o histórico da entidade, vista como linha de frente na política de deportações implementada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
Entre os cartazes e gritos de ordem, o público também pediu que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, retornem ao país de origem. “Achei que essa era uma boa oportunidade para mostrar que o resto do mundo não concorda com o que está acontecendo em Minnesota”, declarou Katie Legare, natural daquele estado norte-americano e atualmente estudante na Europa. Ela citou o assassinato de dois cidadãos dos EUA por agentes do ICE em sua cidade natal como motivação para participar do ato. “Não é certo simplesmente aceitar o status quo. É preciso dizer que algo errado está acontecendo e se manifestar”, completou.
O governo italiano classificou a polêmica como infundada e explicou que nenhum agente do ICE atua nas ruas durante os Jogos. Segundo Roma, apenas integrantes do Serviço de Investigação de Segurança Interna dos EUA, lotados em missões diplomáticas, permanecem no país. Em nota, o Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos reforçou que não conta com o órgão de imigração na proteção de sua delegação.
Com a abertura oficial marcada para a noite desta sexta-feira, as autoridades de Milão determinaram o fechamento de escolas situadas no centro histórico e bloquearam o acesso a diferentes áreas da cidade, medida adotada para reforçar a segurança e minimizar impactos no trânsito.
Imagem: REUTERS/Alkis Konstantinidis/Proibida reprodução
Além da crítica à presença de agentes estrangeiros, os manifestantes afirmam que o evento esportivo representa desperdício de recursos públicos em meio ao aumento do custo de moradia e à falta de espaços de convivência. Durante o ato, alguns participantes também entoaram palavras de ordem contra Israel e expressaram apoio aos palestinos.
No momento em que a chama olímpica se prepara para iluminar o estádio de Milão, o clima na cidade mistura expectativa esportiva e tensão política, impulsionado pelo debate em torno da imigração e do uso de verbas públicas.
Com informações de Agência Brasil
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