NOVA DÉLI (Índia) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na madrugada desta quinta-feira, 19 de fevereiro, que o avanço da inteligência artificial (IA) exige uma governança global capaz de equilibrar oportunidades e riscos. O pronunciamento foi feito na “Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial”, encontro anual que sucedeu a primeira edição realizada no Reino Unido, em 2023.
Logo no início do discurso, Lula descreveu a IA como parte de um “processo tecnológico de caráter dual”, comparando o momento atual a marcos históricos como a invenção do avião, o domínio do átomo, a engenharia genética e a corrida espacial. Segundo ele, todas essas inovações ampliaram o bem-estar coletivo, mas também criaram ameaças relevantes.
Benefícios elencados
O presidente mencionou ganhos já perceptíveis na produtividade industrial, nos serviços públicos, na medicina, na segurança alimentar e energética, além da forma como as pessoas se conectam. Para Lula, essas aplicações positivas indicam que a IA pode ser usada para gerar emprego, renda e melhorar políticas públicas, objetivo que, no Brasil, será detalhado no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, programado para 2025.
Riscos destacados
Entre os perigos, o chefe do Executivo citou o uso de armamentos autônomos, a disseminação de discurso de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e precarização do trabalho. Conteúdos falsos produzidos ou manipulados por IA, acrescentou, “distorcem processos eleitorais” e ameaçam a democracia.
Chamada à regulação
Lula avaliou que infraestrutura, capacidade computacional e capital permanecem “concentrados em poucos países e empresas”, o que classificou não como inovação, mas como “dominação”. Defendeu, por isso, a criação de regras internacionais para as grandes plataformas digitais a fim de salvaguardar direitos humanos, garantir a integridade da informação e proteger as indústrias criativas.
Ele lembrou que o Congresso brasileiro discute propostas de marco regulatório para o setor e disse ser “imperativo” que a Organização das Nações Unidas (ONU) lidere o debate sobre governança inclusiva na área.
Encontro com o Google
À margem da cúpula, Lula reuniu-se com Sundar Pichai, CEO do Google. O executivo, que solicitou o encontro, elencou investimentos já realizados no Brasil, como o Centro de Engenharia em São Paulo, projetos de infraestrutura e parcerias com o setor público. O presidente apresentou a estratégia brasileira para a IA e comentou iniciativas voltadas à atração de datacenters.
Durante a conversa, ambos discutiram riscos associados à tecnologia, especialmente aqueles que afetam meninas e mulheres, e trataram do marco legal em análise no Legislativo, que inclui medidas de proteção à indústria criativa nacional. Segundo Lula, a companhia demonstrou disposição em ampliar a cooperação com o governo e o setor privado brasileiros.
Próximos passos da agenda
Além dos debates sobre governança da IA, a programação na Índia prevê visita oficial e a inauguração do escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). A nova unidade deverá facilitar o acesso de empresas brasileiras ao mercado local e estimular a expansão comercial na região.
Com o encerramento da cúpula, líderes mundiais esperam consolidar um roteiro conjunto para regulamentar a IA, tema que, conforme ressaltou Lula, “não pode ficar restrito a poucos atores” em um cenário de enfraquecimento do multilateralismo.
Com informações de G1
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