Lula diz que proposta de Trump para Conselho de Paz pretende substituir ONU

Rafael Ramos
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (23), em Salvador, que a política internacional atravessa um período de forte tensão devido ao avanço de decisões unilaterais. Durante o ato de encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o chefe do Executivo brasileiro declarou que a Carta das Nações Unidas está sendo desrespeitada e criticou a iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar um Conselho de Paz. Segundo Lula, a nova instância replicaria a Organização das Nações Unidas (ONU), mas sob controle exclusivo de Washington.

O governo norte-americano já convidou Lula a compor o futuro Conselho de Paz, que deverá supervisionar o trabalho do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês). Mesmo reconhecendo o convite, o presidente brasileiro destacou que está dialogando com diversos líderes para defender o multilateralismo. Ele relatou ter mantido contato recentemente com o presidente da China, Xi Jinping; com o presidente da Rússia, Vladimir Putin; com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi; e com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, entre outros.

Lula reforçou que pretende combater qualquer tentativa de imposição de força no cenário mundial e sublinhou que o Brasil não aceitará voltar a uma condição de subordinação externa. O presidente também criticou a postura de Trump, que, em sua visão, usa o poder militar norte-americano como argumento político.

Ao comentar a crise na Venezuela, Lula condenou a operação liderada por tropas dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da deputada Cilia Flores. Para ele, a ação violou a integridade territorial do país vizinho e afrontou a tradição pacífica da América do Sul.

Detalhes do Encontro do MST

O 14º Encontro Nacional do MST ocorreu de 19 a 23 de janeiro, na capital baiana, e celebrou os 42 anos do movimento, completados no dia 22. Mais de 3 mil trabalhadores e trabalhadoras sem terra, vindos de todas as regiões do país, participaram das discussões sobre reforma agrária, produção de alimentos saudáveis, agroecologia, agricultura familiar e conjuntura política.

No encerramento, representantes do MST entregaram uma carta a Lula. O documento condena ações que, na avaliação do movimento, buscam impedir o avanço do multilateralismo na América Latina, citando especificamente a intervenção na Venezuela. A carta também denuncia a exploração de recursos naturais – como petróleo, minérios, terras raras, água e florestas – e reafirma princípios como a luta pela reforma agrária, o socialismo, o internacionalismo e a solidariedade a povos em situação de conflito, especialmente Venezuela, Palestina, Haiti e Cuba.

Ao final do encontro, Lula reiterou que pretende atuar politicamente “com o poder do convencimento”, defendendo a democracia e o diálogo como caminhos para a resolução de controvérsias internacionais, sem recorrer à força.

Com informações de Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.