Em Roma, Lula afirma que fome é questão política e critica gasto global em armamentos

Robson Alves
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Roma (Itália) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta segunda-feira, 13 de outubro de 2025, que a fome decorre de decisões políticas, e não de limitações econômicas. A declaração foi feita durante entrevista coletiva após a participação no Fórum Mundial da Alimentação, organizado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

“Se houver vontade política dos governantes, haverá um jeito de garantir café da manhã, almoço e jantar para a população pobre do mundo inteiro”, afirmou o chefe do Executivo brasileiro.

Crítica a gastos militares

Lula comparou o orçamento dedicado a armamentos com os recursos necessários para combater a fome. Segundo o presidente, países ricos destinam US$ 2,7 trilhões por ano ao setor militar, enquanto pouco mais de 12% desse montante — aproximadamente US$ 300 bilhões — seriam suficientes para alimentar os 763 milhões de pessoas que passam fome no planeta.

Produção de alimentos e distribuição

O presidente ressaltou que a produção de alimentos já supera quase duas vezes a necessidade global, mas que a comida não chega a quem precisa. “Não basta produzir, é preciso consumir, é preciso chegar até as pessoas. E é preciso ter renda”, declarou.

Compromisso nos fóruns internacionais

Lula afirmou que pretende levar o tema da fome a todos os espaços multilaterais dos quais participar. “Podem gostar ou não, mas em todos os fóruns em que eu estiver os dirigentes irão me ouvir falar da desigualdade racial, da desigualdade de comida, da desigualdade de salário, da desigualdade de tudo”, disse.

Ao encerrar a coletiva, o presidente reforçou a ideia de que o “mundo é desigual porque a economia, tal como é pensada, leva a um mundo desigual” e voltou a defender que apenas a indignação global pode acelerar o fim da fome.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.