O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, no domingo, 19 de abril de 2026, em Hannover, Alemanha, que o Brasil pode colaborar com a União Europeia na redução de emissões e na diminuição dos custos de energia, desde que as regras do bloco considerem a matriz energética limpa usada na produção brasileira. O pronunciamento ocorreu na abertura da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo.
Ao discursar na feira, Lula voltou a criticar os impactos do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, classificando a situação como “maluquice”. O presidente estava acompanhado do chanceler alemão Friedrich Merz e falou na presença de representantes governamentais e empresários dos dois países.
Parceria energética e biocombustíveis
Lula defendeu que a Europa reconheça o caráter limpo de parte da matriz energética brasileira para facilitar a cooperação industrial e energética. Segundo ele, impor novas barreiras ao acesso a biocombustíveis seria contraproducente ambiental e energeticamente. O presidente ressaltou que o Brasil já adota mistura de 30% de etanol na gasolina e 15% no biodiesel, e disse que esses combustíveis são produzidos de forma sustentável, sem prejudicar a produção de alimentos ou provocar desmatamento.
O presidente destacou ainda que 90% da energia elétrica no Brasil é de origem limpa e afirmou haver potencial para produzir hidrogênio verde a baixo custo.
Inteligência artificial e mercado de trabalho
Sobre tecnologia, Lula afirmou que o país investe em uma agenda voltada à economia verde e à indústria 4.0 em 2026, mas pediu cautela em relação aos efeitos da inteligência artificial. Ele alertou para o uso da IA em operações militares sem parâmetros legais e morais e pediu que empresários e pesquisadores considerem os impactos sobre os trabalhadores. O presidente também afirmou que o Brasil registra o menor desemprego de sua história e defendeu o fim da escala 6×1, propondo redução da jornada para garantir dois dias de descanso.
Geopolítica, comércio e recursos
Lula explicou que o governo adotou medidas internas para mitigar os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o país, lembrando que o Brasil importa 30% do óleo diesel que consome. Ele apontou que a alta do preço do petróleo e a escassez de fertilizantes elevam custos de energia e alimentos, afetando os mais vulneráveis.
O presidente criticou a paralisia da Organização Mundial do Comércio e disse ser necessária sua “refundação”. Em relação ao comércio internacional, citou a entrada em vigor, em menos de duas semanas, de um acordo que criará um mercado de quase 720 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares entre Mercosul e União Europeia.
Lula também lembrou compromissos ambientais do Brasil, afirmando que o país reduziu o desmatamento na Amazônia em 50% e no Cerrado em 32% nos últimos três anos. Citou ainda potencial mineral do país, com apenas 30% do potencial mapeado, e ressaltou reservas relevantes: maior reserva mundial de nióbio, segunda de grafita e terras raras e terceira de níquel. O presidente disse buscar parcerias com transferência de tecnologia, e não ver o Brasil apenas como exportador de minérios.
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