Lula propõe debate amplo sobre fim dos combustíveis fósseis e critica ausência dos EUA no G20

Robson Alves
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (23) que a eliminação dos combustíveis fósseis deve ser construída por meio de um “debate abrangente” entre governos, empresas e especialistas, e não pela imposição de uma data limite. A declaração foi dada em entrevista coletiva em Joanesburgo, na África do Sul, após a Cúpula de Líderes do G20.

Segundo Lula, o Brasil insistiu na 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), encerrada no sábado em Belém (PA), para que o texto final do Acordo de Belém incluísse um cronograma de transição energética. A proposta foi retirada para viabilizar a aprovação de um documento único. “Sabíamos que seria polêmico, até porque o Brasil produz cerca de 5 milhões de barris de petróleo por dia”, disse.

O presidente ressaltou que o petróleo tem usos além de gasolina e diesel, citando a indústria petroquímica, e reforçou que parte da receita do setor deve financiar a transição para fontes limpas. Ele lembrou que o país já mistura biodiesel à gasolina e ao diesel, “mostrando ser possível reduzir a dependência de fósseis”.

Multilateralismo em debate

Lula minimizou a ausência do presidente norte-americano, Donald Trump, no encontro do G20. Para o brasileiro, o bloco “existe mesmo sem a participação dos Estados Unidos” e o multilateralismo “saiu fortalecido” com a aprovação unânime da declaração final pelos demais 19 integrantes.

O chefe de Estado manifestou preocupação com a lentidão para transformar decisões em ações concretas. “Precisamos colocar em prática o que foi acordado até a próxima cúpula, ou haverá um vazio”, afirmou.

Tensão no Caribe

O presidente também pretende discutir com Trump o envio de tropas e de um porta-aviões norte-americano ao mar do Caribe, próximo à Venezuela. Para Lula, a movimentação militar ameaça a condição da América do Sul como “zona de paz”. “O Brasil faz fronteira com a Venezuela e não há sentido em iniciar um conflito agora”, declarou, comparando o risco a impasses como a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Após três dias de agendas em Joanesburgo, Lula seguiu para Maputo, em Moçambique, onde cumpre visita de trabalho nesta segunda-feira (24).

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.