Lula critica bloqueio dos EUA a Cuba e defende Mais Médicos em Pernambuco

Rafael Ramos
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou nesta quinta-feira, 14 de agosto, o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba e reiterou o apoio do governo brasileiro ao Programa Mais Médicos. A declaração foi feita em Goiana (PE), durante a inauguração de novos blocos de produção da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás).

Lula reagiu à decisão anunciada um dia antes pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que revogou os vistos de servidores brasileiros ligados à cooperação médica com Cuba. Entre os atingidos estão Mozart Julio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor internacional da pasta e atual coordenador-geral da COP30.

“Nossa relação com Cuba é de respeito a um povo que sofre há 70 anos com um bloqueio sem justificativa”, afirmou o presidente. Lula acusou Washington de tentar “mandar no mundo” e destacou a participação cubana na formação do Mais Médicos entre 2013 e 2018, quando profissionais da ilha atuaram em regiões remotas brasileiras por meio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Falta de profissionais

O chefe do Executivo lembrou que o programa foi criado para suprir vazios assistenciais. Segundo ele, prefeitos de pequenas cidades e periferias continuam enfrentando dificuldades para contratar médicos. “É o governo que precisa decidir onde há carência”, declarou.

Histórico de cooperação cubana

Cuba mantém missões médicas no exterior desde a década de 1960. De acordo com dados do Ministério da Saúde cubano, 605 mil profissionais já atuaram em 165 países, incluindo Portugal, Ucrânia, Rússia, Espanha, Argélia e Chile. Países caribenhos como São Vicente e Granadinas, Barbados e Trinidad e Tobago também defenderam publicamente os acordos com Havana após as críticas norte-americanas.

Avanço na autossuficiência de medicamentos

No evento em Pernambuco, foram entregues os blocos B02 (fracionamento de plasma) e B03 (envase e liofilização) da Hemobrás, resultado de R$ 1,9 bilhão em investimentos. A nova estrutura permitirá ao Brasil processar até 500 mil litros de plasma por ano e fabricar albumina, imunoglobulina e fatores de coagulação VIII e IX, usados em tratamentos de queimados, pacientes de UTI, hemofilia e doenças raras.

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Imagem:  Ricardo Stuckert via agenciabrasil.ebc.com.br

Em 2024, a estatal já havia entregue 552 mil frascos de hemoderivados e 870 milhões de Unidades Internacionais de medicamentos recombinantes ao Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa é iniciar o fracionamento nacional de plasma em 2026, após concluir as etapas de qualificação e receber a certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Lula ressaltou que a expansão da Hemobrás representa “um marco para a soberania na produção de medicamentos essenciais” e afirmou que o país “não tem medo de ameaças”.

Após a cerimônia em Goiana, o presidente seguiu para o Recife, onde cumpre agenda do programa Agora Tem Especialistas e entrega títulos de regularização fundiária à comunidade de Brasília Teimosa.

Com informações de Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.