Brasília (DF) – 4 de março de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou chefes de Estado a substituírem os investimentos em armamentos por ações de enfrentamento à fome, durante a abertura da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, no Palácio Itamaraty.
Lula lembrou que, em 2025, foram gastos US$ 2,7 trilhões em equipamentos militares e conflitos. Segundo ele, se esse montante fosse destinado às 630 milhões de pessoas subalimentadas no planeta, cada indivíduo poderia receber aproximadamente US$ 4.285. “Com bom senso, a fome deixaria de existir”, disse, destacando que a América Latina e o Caribe formam “a única zona de paz no mundo”.
Apego constitucional à paz
O presidente ressaltou que a Constituição brasileira veta a posse de armas nucleares e refutou o ditado de que, para garantir a paz, é preciso preparar-se para a guerra. “Quem busca a paz investe em desenvolvimento humano”, afirmou.
Apelo ao Conselho de Segurança
Dirigindo-se diretamente a China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia – membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU –, Lula sugeriu que as potências concentrem esforços na erradicação da fome, em vez de fortalecer arsenais. Ele observou que governos estão ampliando gastos com drones, aviões de combate e bombas atômicas, enquanto recursos para a produção de alimentos ficam em segundo plano.
Crítica à situação em Gaza
O chefe do Executivo brasileiro condenou iniciativas para reconstruir a Faixa de Gaza após os bombardeios recentes, classificando-as como “ação tardia” diante da quantidade de civis mortos. Para Lula, não se pode tratar a região “como um resort” logo após a devastação de casas e plantações.
Responsabilidade política pela fome
Ao afirmar que a escassez de alimentos não decorre de eventos climáticos extremos, mas de “excesso de irresponsabilidade” de dirigentes, Lula alertou que a humanidade permanecerá impassível se não houver mobilização contra a miséria.
Desconfiança em relação à ONU
O presidente elogiou o “papel extraordinário” da FAO, mas avaliou que a Organização das Nações Unidas “está perdendo credibilidade” porque, de acordo com ele, não cumpre os princípios estabelecidos em 1945. Lula sugeriu que a ONU convoque uma conferência global específica para debater os atuais conflitos e seus impactos sobre a produção de alimentos.
Ele também ironizou declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump sobre o “maior exército do mundo”. Na visão de Lula, seria mais adequado destacar capacidades de gerar e distribuir comida: “Soaria melhor aos nossos ouvidos”.
As declarações foram acompanhadas pelo diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, e por delegações de diversos países latino-americanos e caribenhos, que participam da conferência ao longo da semana em Brasília.
Com informações de Agência Brasil
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