O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou nesta quarta-feira, 24 de setembro de 2025, que “a democracia é o que está em jogo para o futuro da humanidade”. A declaração foi feita em Nova York, durante a 2ª edição do encontro Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo, que reuniu lideranças de cerca de 30 países.
Lula dividiu a condução do evento com os presidentes Gabriel Boric, do Chile, e Pedro Sánchez, da Espanha. A iniciativa busca consolidar uma diplomacia ativa que fortaleça a cooperação internacional contra a deterioração de instituições, a desinformação, o discurso de ódio e a desigualdade social.
“Somente a democracia será capaz de reconstruir o multilateralismo e a harmonia entre os seres humanos”, afirmou o presidente brasileiro. Ele questionou o avanço da extrema-direita e conclamou os participantes a refletirem sobre os rumos da esquerda mundial.
“Vamos botar a mão na consciência. O que fizemos ontem pela democracia? Se não conversamos, não organizamos. E, se não organizamos, a democracia perdeu”, destacou. Em seguida, indagou: “Onde foi que os democratas erraram? É virtude da extrema-direita ou incompetência nossa?”
Lula também criticou decisões políticas que, segundo ele, favorecem adversários: “Muitas vezes ganhamos eleições com discursos de esquerda e, ao governar, atendemos mais aos interesses dos nossos inimigos do que dos nossos amigos.” Para o presidente, governantes acabam respondendo à pressão do mercado e da imprensa, enquanto eleitores que estiveram nas ruas “são considerados sectários”.
O chefe do Executivo brasileiro defendeu um balanço interno dos movimentos democráticos. “Antes de procurar a virtude do extremismo de direita, temos de procurar os erros que a democracia cometeu na relação com a sociedade civil. Se não encontrarmos respostas, continuaremos sendo sufocados pelo negacionismo e pelo discurso fascista”, concluiu.
Fonte: Agência Brasil
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