Jelena Todorovic rompe barreira e estreia com bons resultados no comando do Fortaleza Basquete Cearense

Rafael Ramos
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A rotina no Ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, mudou de tom quando o Fortaleza Basquete Cearense entrou em quadra para o último treino antes de enfrentar o Flamengo pelo Novo Basquete Brasil (NBB). Entre arremessos e o som de pagode no sistema de som, a sérvia Jelena Todorovic, 32 anos, conduzia a atividade. Contratada em julho, ela tornou-se a primeira mulher a comandar uma equipe masculina na liga criada em 2009 e, logo nos primeiros compromissos, registrou duas vitórias e uma derrota.

Primeiros passos como técnica principal

A oportunidade no Fortaleza é o primeiro cargo de head coach da carreira da europeia. Depois de anos observando grandes nomes do basquete do Velho Continente, Jelena aceitou o desafio quando recebeu carta branca para montar o elenco e implantar um sistema próprio. “Um time vence quando atua de forma coletiva, não apenas quando possui melhores nomes no papel”, costuma argumentar.

Arrancada promissora

O calendário reservou três partidas seguidas na capital fluminense. O time bateu Vasco e Botafogo e só foi superado pelo Flamengo, resultado que, segundo a treinadora, não abalou o processo de adaptação. Antes de desembarcar no Nordeste, ela conversou com o croata Aleksandar Petrovic, que dirige a seleção brasileira masculina, em busca de referências sobre o estilo local.

Integração cultural

Entre treinos e jogos, Todorovic se familiariza com a cultura brasileira. Pianista nas horas vagas, diz apreciar a culinária nacional tanto quanto a música e brinca que já domina o forró, embora ainda esteja aprendendo a sambar. A barreira linguística, admite, existe, mas a considera administrável graças ao apoio dos atletas.

Estilo de jogo e liderança

Para equilibrar a reconhecida criatividade do jogador brasileiro, a técnica aposta na disciplina tática típica do basquete europeu. “Enxergar as leituras de jogo e atenção aos detalhes faz diferença”, ressalta. Ao falar sobre o pioneirismo, ela prefere destacar a competência como critério de contratação. “Ser mulher ou homem não muda a pressão da quadra; autoridade vem da capacidade de liderar”, pontua. No blazer que utiliza durante as partidas, carrega um broche com foto da infância, lembrança da menina que sonhava comandar equipes e que, segundo ela, jamais aceitou um “não” como resposta.

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Imagem: Wallace Lima/Botafogo/Direitos Reservados

Os primeiros resultados e a postura firme à beira da quadra indicam que Jelena Todorovic iniciou um novo capítulo no basquete brasileiro. Com a temporada apenas no começo, a treinadora terá tempo para consolidar sua filosofia e fortalecer a presença feminina em um espaço historicamente masculino.

Com informações de Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.