Itamaraty chama encarregado de negócios dos EUA após mensagens contra ministros do STF

Robson Alves
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O Ministério das Relações Exteriores convocou, nesta quinta-feira (8), o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos sobre publicações do governo norte-americano que ameaçam autoridades do Judiciário brasileiro ligadas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No Itamaraty, Escobar foi recebido pelo secretário interino para Europa e América do Norte, embaixador Flavio Celio Goldman. Segundo a chancelaria, o governo brasileiro manifestou “indignação” com o teor e o tom das mensagens divulgadas pelo Departamento de Estado e pela própria embaixada nas redes sociais, classificadas como “ingerência em assuntos internos” e “ameaças inaceitáveis” a autoridades nacionais.

Mensagens nas redes sociais

Na quarta-feira (7), o perfil oficial da Embaixada dos EUA em Brasília publicou, em português, uma declaração do secretário de Diplomacia Pública norte-americano, Darren Beattie. No texto, Beattie alertou que “aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes” e afirmou que Washington “monitora a situação de perto”. O ministro foi acusado de “censura” e “perseguição” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Sanções contra Moraes

As tensões se intensificaram após, em 30 de julho, os Estados Unidos aplicarem sanções econômicas a Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky. As medidas foram justificadas pelo suposto desrespeito a direitos humanos durante o julgamento da trama que investigou uma tentativa de golpe de Estado no Brasil depois das eleições de 2022.

De acordo com denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Jair Bolsonaro teria pressionado comandantes militares para anular o resultado eleitoral que deu a vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ex-chefe do Executivo nega as acusações. Ele e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) também são alvo de investigação por supostamente buscarem apoio norte-americano para adotar sanções contra o Brasil, mencionando o processo movido contra o ex-presidente.

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

O Itamaraty não informou quais próximos passos pretende adotar, mas reiterou que considera as declarações de Washington um ato de interferência que “não será tolerado”. A Embaixada dos Estados Unidos não se pronunciou após a reunião.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.