Jerusalém – O Exército israelense anunciou nesta quarta-feira (29) a retomada do cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro na Faixa de Gaza, depois de realizar uma série de bombardeios que, segundo a corporação, atingiram “dezenas de alvos terroristas” ligados ao Hamas.
Em comunicado, os militares informaram que a operação foi autorizada pelo governo e resultou na neutralização de 30 combatentes “que ocupavam posições de comando”. “Após as ações em resposta às violações do Hamas, o Exército retomou a aplicação do cessar-fogo”, diz a nota.
Escalada e vítimas
Fontes médicas e da Defesa Civil de Gaza relataram à agência EFE que pelo menos 91 palestinos – entre eles 24 crianças e sete mulheres – morreram entre a tarde de terça (28) e esta quarta-feira em decorrência dos ataques israelenses. As investidas atingiram áreas no norte, centro e sul do enclave, incluindo Cidade de Gaza, Beit Lahia, Bureij, Nuseirat e Khan Younis.
Equipes de resgate afirmam trabalhar “em condições extremamente difíceis” e alertam para a possibilidade de mais vítimas sob escombros. Entre os episódios registrados, cinco membros da família Abu Sharar morreram em Bureij e outras cinco pessoas foram atingidas dentro de um veículo em Khan Younis.
Motivo da ofensiva
A nova rodada de ataques foi ordenada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu após o governo acusar o Hamas de violar o cessar-fogo. Entre as supostas infrações está a devolução a Israel de restos mortais de um refém que já havia sido recuperado em 2023, fato considerado descumprimento dos termos do acordo.
O ministro da Defesa, Yoav Gallant, também atribuiu ao grupo palestino um ataque no sul de Gaza que matou um soldado israelense na terça-feira. O Hamas negou envolvimento, classificou as alegações como “infundadas” e reiterou compromisso com o pacto de trégua.
Cessar-fogo mediado
O acordo foi costurado pelos Estados Unidos, Egito, Catar e Turquia como parte de um plano de 20 pontos apresentado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para Gaza. Além da suspensão das hostilidades, o texto previa que o Hamas entregasse 48 reféns – vivos ou mortos – em até 72 horas após o início da trégua, em 10 de outubro.
Segundo dados oficiais, em 13 de outubro o grupo libertou 20 reféns israelenses vivos em troca de 250 prisioneiros palestinos e 1.718 detidos no território. Israel também repassou os corpos de 195 palestinos ao receber os restos mortais de 13 reféns israelenses, além de dois estrangeiros – um tailandês e um nepalês. Mantêm-se em Gaza os corpos de 11 israelenses, um tanzaniano e um tailandês.
Compromisso e advertências
As Forças de Defesa de Israel reforçaram que continuarão a observar o cessar-fogo, mas responderão “com firmeza” a qualquer nova violação. Em Washington, o presidente Trump declarou que “nada vai pôr em risco” o acordo.
Até o momento, não há confirmação sobre futuras rodadas de negociações nem sobre um cronograma para a resolução dos pontos pendentes do pacto.
Fonte: Agência Brasil
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