Iranianos recorrem a serviços clandestinos e VPNs para falar com parentes no exterior

William Kevim
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Teerã – Cortes frequentes de internet e o bloqueio de chamadas internacionais obrigam cidadãos iranianos a buscar alternativas caras e arriscadas para se comunicar com familiares que vivem fora do país. Entre as soluções mais utilizadas estão linhas telefônicas clandestinas na fronteira com a Turquia e o uso de redes privadas virtuais (VPN), segundo relataram iranianos à BBC News Persa.

Conexão improvisada na divisa Irã-Turquia

Em um ponto não revelado da fronteira turca, um homem mantém dois celulares – um habilitado na rede iraniana e outro conectado à operadora turca. O artifício permite receber chamadas de aplicativos como WhatsApp feitas por clientes que moram no exterior e, em seguida, transferi-las para números dentro do Irã. Com os aparelhos encostados um no outro, ele consegue driblar o bloqueio imposto por Teerã às ligações internacionais.

O serviço, porém, custa caro: uma conversa de quatro a cinco minutos sai por cerca de £28, valor equivalente a aproximadamente R$ 180. Ainda assim, muitos consideram o gasto justificável diante da impossibilidade de falar com pais, filhos ou irmãos.

VPN como último recurso

Quando a conexão móvel ainda funciona, moradores de Teerã recorrem a VPNs para ganhar acesso temporário a aplicativos de mensagem. Hamid, nome fictício de um morador da capital, relata pagar em média £15 (cerca de R$ 130) por 1 GB de dados em VPN, quantia significativa em um país cujo salário mínimo mensal gira em torno de US$ 100 (aproximadamente R$ 650).

“O preço disparou e a estabilidade é péssima”, diz ele. Se o sinal cai, o pacote termina sem direito a reembolso. Mesmo assim, Hamid insiste: “Prefiro o prejuízo a deixar minha família sem notícias”.

Ansiedade entre familiares que moram fora

Negar, iraniana radicada em Toronto, conta que ligações vindas de familiares durante protestos em janeiro a ajudaram a aliviar a tensão. No entanto, as conversas raramente duram mais que alguns minutos. “Eles passam por bombardeios pesados e, mesmo assim, insistem em dizer: ‘estamos bem’. Isso me destrói”, desabafa.

Em Melbourne, Shadi se preocupa com os pais que vivem perto do depósito de petróleo atingido em 7 de março, próximo ao Ministério da Defesa. O barulho constante de explosões e a chamada “chuva negra” — precipitação escura causada por poluentes — fizeram o pai abandonar os passeios diários. Para ganhar segurança antes de dar notícias, parentes conferem a situação com vizinhos e depois repassam um panorama a quem está no exterior.

Medo e dificuldade técnica limitam contato

Zahra, que vive em um país europeu não especificado, depende do Telegram para falar com o irmão em Teerã. Se ele fica offline por mais de uma hora, ela imagina o pior. “Além das explosões, patrulhas param pessoas em cada esquina. Se não gostam do seu rosto, você é abordado”, relata o irmão.

Para Pooneh, residente em Londres, comunicar-se tornou um processo unidirecional: “Só recebo chamadas. Não consigo ligar de volta e isso me dá a sensação de que nada está sob controle”. A irmã dela, mais acostumada a contornar bloqueios, age como ponte de informações, repassando notícias internas e recebendo detalhes sobre o conflito que não chegam à mídia iraniana por causa da censura.

Assim, entre custos elevados, conexões instáveis e medo constante, milhares de iranianos dependem de ferramentas improvisadas para manter o elo familiar em meio ao agravamento da guerra e das restrições governamentais.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.