Irã lança novo ataque contra instalações de gás do Catar após alerta de Trump

Robson Alves
3 Min Leitura

O Irã voltou a atingir a infraestrutura energética do Catar na madrugada desta quinta-feira, 19 de março, elevando a tensão no Golfo Pérsico um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar destruir completamente o campo de gás South Pars – a maior reserva do mundo, explorada em conjunto por iranianos e catarianos.

A estatal catariana Catar Energy informou que vários terminais de gás natural liquefeito (GNL) foram alvo de mísseis, resultando em incêndios de grande proporção e “danos extensos” às unidades atingidas. Este é o segundo bombardeio iraniano contra a monarquia árabe aliada de Washington em menos de 24 horas; na quarta-feira, 18, a refinaria de Ras Laffan já havia sofrido ataques semelhantes.

O novo lançamento de projéteis ocorreu horas depois de Trump declarar, em rede social, que Israel foi responsável pelos disparos contra South Pars e que Tel Aviv não repetiria a ação, a menos que o Irã atacasse “um país inocente, no caso, o Catar”. “Se o GNL do Catar for atacado novamente, os Estados Unidos – com ou sem o apoio de Israel – explodirão massivamente todo o campo de gás South Pars com uma força jamais vista”, escreveu o chefe da Casa Branca.

Segundo Trump, Washington não deseja recorrer a tal escalada, mas não hesitará se as instalações catarianas voltarem a ser atingidas. A declaração antecedeu poucas horas o disparo dos mísseis iranianos.

Reação de Teerã

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Seyyed Abbas Araghchi, advertiu que Teerã não exibirá mais contenção caso suas próprias estruturas energéticas sejam novamente bombardeadas. “Nossa resposta ao ataque de Israel utilizou apenas uma fração do nosso poder. Qualquer continuação das agressões fará com que não imponhamos mais limites”, afirmou.

Em comunicado separado, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) classificou os ataques às instalações iranianas como “erro de cálculo grave” e prometeu retaliações mais intensas contra as redes de energia de eventuais agressores e de seus aliados, até que esses sistemas “sejam completamente destruídos”.

Impactos e contexto regional

A escalada envolvendo Irã, Catar, Israel e Estados Unidos pressiona ainda mais os preços internacionais do petróleo e do gás. Autoridades iranianas já ameaçaram até cinco instalações de processamento de hidrocarbonetos no Catar, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, ampliando o risco de propagação do conflito.

Em meio ao aumento da volatilidade, outras nações acompanham de perto os desdobramentos. Na semana anterior, negociações de paz sobre a guerra no Irã foram interrompidas, e governos como o da Argentina declararam disposição de enviar tropas caso Washington solicite apoio militar.

O cenário permanece imprevisível, enquanto Catar Energy contabiliza prejuízos e reforça medidas de segurança em suas plantas de GNL.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.