Irã cria conselho de liderança interino após assassinato do aiatolá Ali Khamenei

Robson Alves
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Foco SE

O governo iraniano formou neste domingo (1º) um conselho colegiado para exercer as funções do aiatolá Ali Khamenei, morto na véspera durante ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra o território persa. A informação foi divulgada pela imprensa oficial de Teerã na madrugada local — noite de sábado (28) no horário de Brasília.

O novo órgão, batizado de Conselho de Liderança Interina, reúne o presidente da República, Masoud Pezeshkian; o chefe do Judiciário, Gholam Hossein Mohseni Ejeie; e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf. Além dos três Poderes, compõe o grupo o aiatolá Alireza Arafi, designado para representar o Conselho dos Guardiões, instância que era presidida por Khamenei. A nomeação de Arafi não equivale à escolha de um novo líder supremo, responsabilidade que cabe à Assembleia dos Especialistas, formada por 86 clérigos eleitos.

Logo após a confirmação da morte, veículos estatais exibiram imagens aéreas de manifestações em várias cidades. Milhares de iranianos saíram às ruas para protestar contra o assassinato e expressar pesar, enquanto o governo decretou 40 dias de luto nacional.

Residência bombardeada

De acordo com o jornal estatal Teheran Times, a residência oficial de Khamenei foi atingida pelos bombardeios que resultaram na morte do líder, no poder havia 36 anos. O ataque também teria matado familiares do aiatolá, incluindo uma filha, um genro, uma nora e um neto.

Outras autoridades importantes foram declaradas mortas pelos meios oficiais iranianos. Entre elas, o secretário do Conselho de Defesa, contra-almirante Ali Shamkhani, e o comandante em chefe do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, major-general Mohammad Pakpour.

Reação militar

Em comunicado conjunto, os chefes do Estado-Maior das Forças Armadas prometeram retaliar. “Faremos com que os inimigos desta nação, especialmente os Estados Unidos criminosos e o regime sionista maligno, se arrependam”, declarou a nota, que assegura a continuidade do “caminho” traçado por Khamenei.

Sistema político

Na hierarquia da República Islâmica, o líder supremo ocupa o posto mais alto, acima dos chefes do Executivo, do Parlamento e do Judiciário. Ele supervisiona o Conselho dos Guardiões, composto por seis religiosos indicados pelo próprio líder e seis juristas escolhidos pelo Parlamento, e detém autoridade sobre as Forças Armadas. O cargo é vitalício, mas a Assembleia dos Especialistas pode destituir o ocupante se julgar necessário.

Com a instalação do Conselho de Liderança Interina, os integrantes assumem temporariamente os poderes de Khamenei até que a Assembleia escolha o novo aiatolá a comandar o país.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.