Irã ataca e incendia petroleiro carregado ao largo de Dubai após alertas de Trump

Robson Alves
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Teerã atacou e provocou incêndio em um navio petroleiro totalmente carregado ao largo de Dubai nesta terça-feira, segundo autoridades locais, em episódio que ocorre apesar das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possíveis ataques às infraestruturas energéticas iranianas.

O navio Al-Salmi, de bandeira do Kuwait e pertencente à Kuwait Petroleum Corp, foi atingido por drones, de acordo com relatos, e o fogo foi contido pelas autoridades de Dubai. Não houve registro de feridos na tripulação, nem vazamento de óleo; a proprietária informou, porém, que o casco da embarcação sofreu danos.

Dados do serviço de monitoramento TankerTrackers.com indicam que o petroleiro rumava para Qingdao, na China, transportando 1,2 milhão de barris de petróleo saudita e 800 mil barris de petróleo kuwaitiano. A capacidade total do navio pode chegar a cerca de 2 milhões de barris, valor estimado em mais de US$ 200 milhões segundo preços atuais do mercado.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que o objetivo era um navio de contêineres no Golfo relacionado a laços com Israel, mas parece ter se referido ao Haiphong Express, com bandeira de Cingapura, que estava ancorado ao lado do Al-Salmi conforme dados de navegação. Há, portanto, a possibilidade de que o petroleiro não tenha sido o alvo pretendido.

O episódio é o mais recente de uma série de ataques a embarcações mercantes na região desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro. O conflito, que já dura cerca de um mês, ampliou sua influência na região, com milhares de mortos, interrupções no fornecimento de energia e riscos crescentes à estabilidade da economia global.

Após o ataque, os preços do petróleo registraram alta temporária. Em meio ao cenário de escalada, o Paquistão busca mediar o conflito: o ministro das Relações Exteriores paquistanês, Ishaq Dar, viaja à China nesta terça-feira para tratar do assunto, depois de conversas com Turquia, Egito e Arábia Saudita.

A China, importante aliado do Irã e principal comprador de seu petróleo, pediu a suspensão das operações militares e informou que três navios chineses foram recentemente autorizados a transitar pelo Estreito de Ormuz, via que costuma transportar cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

O governo iraniano diz ter recebido propostas de paz dos EUA via intermediários, mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores qualificou essas ofertas como “irrealistas, ilógicas e excessivas”. Em resposta, Trump declarou que os EUA negociam com um “regime mais razoável” formado por líderes que substituíram os mortos na guerra e advertiu que os Estados Unidos destruiriam usinas de energia, poços de petróleo e a ilha de Kharg caso um acordo não seja alcançado em breve e o estreito não seja reaberto.

O fracasso em consolidar um acordo de paz levou o chefe da área de energia da União Europeia a advertir os Estados membros para se prepararem para uma “interrupção prolongada” nos mercados de energia.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.