As ações da Amazon registraram queda de 9% nesta sexta-feira (6), negociadas a US$ 202,21, após a companhia anunciar que pretende direcionar US$ 200 bilhões para projetos de inteligência artificial ao longo de 2026. O montante, considerado expressivo por analistas, provocou dúvidas sobre a velocidade de retorno desse capital e abalou a confiança de parte dos investidores.
Com a nova diretriz, a Amazon passa a integrar o grupo de gigantes de tecnologia que planejam elevar fortemente os desembolsos em data centers e semicondutores voltados à IA no próximo ano. Somadas, essas empresas devem aplicar mais de US$ 630 bilhões, volume inédito para o setor.
Analistas veem salto de 50% nos aportes
Profissionais consultados pela Reuters apontam que o mercado já esperava um aumento de investimentos, mas se surpreendeu com a dimensão. Pelas estimativas, o plano representa expansão de cerca de 50% nos aportes, intensificando receios sobre a possibilidade de a receita acompanhar o ritmo dos gastos.
O cenário reaviva comparações com o início dos anos 2000, período em que companhias de tecnologia investiram maciçamente na infraestrutura que sustentou a internet moderna sem obter, em muitos casos, retorno proporcional. Hoje, o foco recai sobre a IA e suas aplicações comerciais.
Pressão sobre todo o setor
O clima de cautela não se limita à Amazon. Nos últimos dias, Microsoft e Alphabet também viram suas ações recuarem após divulgarem resultados trimestrais. Além disso, novas soluções criadas por startups apoiadas pelos grandes grupos aumentaram a concorrência e derrubaram os papéis de várias empresas de software. Desde 28 de janeiro, o índice de software e serviços do S&P 500 perdeu cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado.
Para Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, investidores se mostram menos tolerantes a decepções. “É mais fácil desapontar do que muitos imaginam neste momento”, afirmou. Mould observa ainda que provedores de computação em nuvem vêm migrando de operações mais enxutas para modelos com volumes maiores de ativos, o que acelera despesas.
Imagem: Divulgação
Impacto nos indicadores e reação da empresa
Se a baixa das ações se sustentar, o valor de mercado da Amazon poderá encolher em cerca de US$ 200 bilhões. Mesmo com o recuo, o papel segue negociado a um múltiplo preço/lucro de 27,01, acima do nível da Microsoft (21,62) e próximo ao da Alphabet (28,36).
Em teleconferência com analistas, o presidente-executivo Andy Jassy defendeu os investimentos, destacando que a Amazon Web Services (AWS) apresentou avanço de 24% na receita. O crescimento é inferior ao observado no Google Cloud, de 48%, e no Azure, da Microsoft, de 39%, mas Jassy lembrou que a AWS opera em escala maior, o que dificulta manter taxas elevadas.
Para a MoffettNathanson, há sinais de demanda que justificam o desembolso, porém a margem de erro diminuiu. “Não acreditamos que eles gastariam US$ 200 bilhões no ano fiscal de 2026 sem evidências suficientes de demanda, mas o nível de risco aumentou”, avaliou a consultoria.
Com informações de G1
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