Inteligência artificial reduz vagas para jovens de 18 a 29 anos e põe em risco formação profissional, diz estudo

William Kevim
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IA já afeta emprego e trajetória profissional de jovens, aponta pesquisa

Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre) concluiu que a inteligência artificial já reduz as oportunidades de trabalho entre jovens de 18 a 29 anos no Brasil, especialmente em setores mais expostos à automação. Segundo a pesquisa, trabalhadores dessa faixa etária têm quase 5% menos chances de conseguir emprego nas atividades mais vulneráveis à chegada da tecnologia do que antes da adoção em massa da IA generativa.

As áreas consideradas mais expostas são serviços de informação, comunicação e financeiros. Daniel Duque, pesquisador-associado do Ibre, diz que jovens normalmente ocupam funções que auxiliam profissionais mais experientes na tomada de decisões, como montar tabelas, gráficos e redigir resumos, tarefas que a IA consegue executar “mais rápido, mais barato e, muitas vezes, melhor”.

A análise do Ibre utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad), do IBGE, e mostrou que faixas etárias superiores, como as de 30 a 44 anos e 45 a 59 anos, foram pouco ou nada afetadas até o momento. Duque ressalta que cargos sênior envolvem maior responsabilidade, capacidade de análise e tomada de decisão, atributos menos suscetíveis à substituição por IA.

Os impactos para os jovens começaram a ser percebidos no ano seguinte ao surgimento do chatGPT, no final de 2022, e se intensificaram em 2024 e 2025 com a chegada de outros modelos, como Claude e Gemini. “Provavelmente só vai piorar”, afirma Duque, observando que a adoção da IA tem sido mais rápida do que a de tecnologias anteriores, como computador e internet, acelerando o efeito no mercado de trabalho.

Em países desenvolvidos, o efeito já é mais pronunciado. Pesquisadores do Laboratório de Economia Digital de Stanford constataram, em novembro de 2025, que o recrutamento de jovens desenvolvedores chegou a cair até 20% em determinados locais, com uma queda média de 16% nos setores mais expostos. Na França, um estudo do Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee) publicado em março mostrou tendência semelhante, com empresas delegando à IA tarefas antes realizadas por profissionais júnior.

A Associação Nacional de Recursos Humanos (ANDRH), na França, observou que algumas empresas têm reduzido o número de estagiários e incentivado funcionários a ampliar o uso de IA, o que pode comprometer a formação dos futuros sêniores. Duque alerta que a perda dessas primeiras experiências profissionais tende a prejudicar a trajetória de carreira dos jovens, que deixam de adquirir práticas, liderança e capacidade de decisão ao lado de profissionais mais experientes.

No Brasil, segundo o pesquisador, o país está “um pouco menos exposto” que economias desenvolvidas, mas apresenta maior grau de substituibilidade entre as ocupações mais vulneráveis. A baixa qualificação da mão de obra dificulta a complementaridade com a IA — domínio necessário para que o trabalho humano acrescente valor à tecnologia — e coloca desafios sobre a democratização do acesso e a distribuição dos benefícios da IA para a produtividade em diferentes camadas da sociedade.

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.