Inteligência Artificial nas eleições: dicas para reconhecer notícias falsas e deepfakes

William Kevim
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Com a popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa, como ChatGPT e Gemini, cresce a preocupação com a criação de conteúdos enganosos durante o período eleitoral. Especialistas e a Justiça Eleitoral detalham sinais que ajudam a diferenciar materiais autênticos de manipulações digitais.

Textos fabricados

Ferramentas de detecção de IA ainda apresentam baixa eficácia, mas alguns indícios podem denunciar a autoria automática:

  • informações incoerentes ou incorretas apresentadas com grande segurança (as chamadas “alucinações”);
  • abuso de clichês, ausência ou uso inadequado de metáforas;
  • desenvolvimento superficial de ideias, generalizações e conclusões vagas;
  • texto sem erros gramaticais visíveis, porém repleto de repetições ou inconsistências.

Imagens sintéticas

Montagens criadas por IA costumam apresentar:

  • mãos com número incorreto de dedos ou posições anormais;
  • pele excessivamente lisa, como se houvesse filtro;
  • caracteres distorcidos em placas, logotipos ou textos de fundo.

Vídeos manipulados

Nos vídeos, é possível notar:

  • descompasso entre lábios e fala;
  • microexpressões pouco naturais;
  • objetos que surgem ou somem repentinamente;
  • movimentos que violam leis físicas.

A busca reversa de imagens ou frames ajuda a verificar se o material já foi publicado anteriormente em outro contexto.

Normas eleitorais específicas

A Resolução nº 23.732/2024 do Tribunal Superior Eleitoral proíbe deepfakes em propagandas e impõe a sinalização obrigatória de uso de IA em peças de campanha. O artigo 9-E responsabiliza solidariamente provedores que não removerem conteúdos com desinformação, discurso de ódio ou ataques à democracia.

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo disponibiliza uma cartilha com as principais condutas permitidas e proibidas durante o pleito.

Ferramentas de denúncia

Cidadãs e cidadãos podem reportar conteúdos suspeitos por meio do Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (SIADE). A plataforma integra o Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação, que também conta com:

  • coalizão de checagem de fatos;
  • página “Fato ou Boato”, que reúne verificações sobre o processo eleitoral;
  • seção “Verifica TRE-SP”, dedicada a boatos referentes ao estado de São Paulo.

Educação midiática e informacional

O Glossário do Programa de Combate à Desinformação do STF define educação midiática como o desenvolvimento da capacidade crítica diante de conteúdos digitais, enquanto a educação informacional reforça a habilidade de avaliar a credibilidade de dados e fontes. Especialistas recomendam uma postura cética e atenta aos detalhes de cada material compartilhado em redes sociais e aplicativos de mensagens.

Em janeiro, a Revista Eletrônica de Direito Eleitoral e Sistema Político (Redesp) publicou o artigo “Eleições e desinformação: como a inteligência artificial influencia as campanhas e as propagandas eleitorais?”, analisando casos recentes e o impacto dessas tecnologias.

Com a melhoria constante dos algoritmos, os sinais de manipulação tornam-se cada vez mais sutis, reforçando a importância do ceticismo e das ferramentas oficiais de verificação durante todo o processo eleitoral.

Fonte: Notícias ao Minuto

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.