Inteligência artificial Claude foi empregada pelos EUA em ataque ao Irã, apontam veículos de imprensa

William Kevim
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Washington – O Exército dos Estados Unidos recorreu ao modelo de inteligência artificial Claude durante a ofensiva realizada contra o Irã no sábado, 28 de fevereiro, segundo apuração do jornal The Wall Street Journal, confirmada posteriormente pelos sites Axios e Reuters.

Desenvolvido pela empresa norte-americana Anthropic, o Claude atua de forma semelhante ao ChatGPT: responde a consultas dos usuários e pode ser integrado a outros sistemas para executar tarefas mais complexas. De acordo com reportagens, o Comando Central dos EUA para o Oriente Médio (Centcom) já utiliza essa tecnologia, mas não detalhou de que forma o recurso foi aplicado na operação em território iraniano.

Fontes ouvidas pelo Wall Street Journal afirmam que o Centcom incorporou a inteligência artificial a diversos processos militares, empregando o Claude para avaliar relatórios de inteligência, identificar alvos e projetar cenários de combate. Ainda assim, a unidade manteve sigilo sobre o uso específico durante a ação mais recente contra o Irã.

Disputa entre governo norte-americano e Anthropic

O ataque ocorreu em meio a uma contenda pública entre Washington e a Anthropic. Na sexta-feira, 27 de fevereiro, o então presidente Donald Trump ordenou que órgãos federais deixassem de utilizar imediatamente programas fornecidos pela companhia. Segundo o mandatário, a postura da empresa “coloca vidas americanas em risco” e ameaça a segurança nacional.

Desde 2025, a Anthropic mantém contrato de US$ 200 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão) com o Departamento de Defesa para fornecer modelos de IA aplicados a fins militares. Porém, a empresa impõe limites: seus sistemas não podem ser empregados em vigilância em massa de cidadãos nem em armamentos totalmente autônomos.

No dia 26 de fevereiro, a companhia reafirmou que não liberaria uso irrestrito de suas ferramentas ao Pentágono. “Essas ameaças não mudam nossa posição”, declarou em nota. O diretor-executivo, Dario Amodei, acrescentou que as aplicações militares existentes visam à defesa, mas que a Anthropic traça uma linha ética ao vetar vigilância ampla e armas letais sem controle humano. Segundo ele, as tecnologias atuais ainda não são confiáveis para decisões fatais sem supervisão de pessoas.

IA presente em outras operações militares

O Wall Street Journal também relatou que o Pentágono utilizou o Claude em fevereiro durante a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro. Na ocasião, a inteligência artificial integrou uma parceria com a empresa de análise de dados Palantir Technologies, embora detalhes sobre sua participação não tenham sido divulgados.

Contexto regional e impacto tecnológico

A insistência do governo dos EUA em ferramentas como o Claude faz parte de uma estratégia mais ampla de incorporação de algoritmos avançados às operações militares. A recente investida contra o Irã reacendeu discussões sobre a confiabilidade desses sistemas e os limites éticos de seu uso em conflitos armados.

Embora a Anthropic defenda restrições para proteger civis e evitar armamentos autônomos, autoridades militares argumentam que a rapidez e a capacidade analítica da IA tornam-se essenciais para avaliar cenários complexos no Oriente Médio.

Críticos, por outro lado, temem que a dependência crescente de modelos de linguagem em contextos de guerra eleve os riscos de falhas e decisões automatizadas com consequências irreversíveis. A pressão do governo Trump para ampliar o acesso sem restrições à tecnologia expôs publicamente esse embate de visões.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.