Influenciadores digitais ligados a bem-estar e atividades físicas têm utilizado plataformas como Instagram, TikTok e podcasts para divulgar sachês de nicotina sintética – conhecidos como snus – como suposto impulsionador de desempenho em treinos. O movimento ganhou força nos Estados Unidos em 2026, período em que os índices de tabagismo tradicional vêm caindo no país.
A estratégia lembra a sátira retratada no filme “Obrigado por Fumar”, de 2005, na qual lobistas de diferentes setores defendem produtos potencialmente nocivos à saúde. Agora, o discurso parte de atletas amadores, criadores de conteúdo de lifestyle e podcasters que defendem o uso da nicotina para “aumentar foco, concentração e energia” antes de exercícios físicos.
Produto aromatizado é proibido no Brasil
Os sachês comercializados nos Estados Unidos contêm nicotina produzida em laboratório, aromas variados e não geram fumaça. No Brasil, a venda desse tipo de produto é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mesmo assim, anúncios circulam nas redes sociais brasileiras oferecendo as embalagens a consumidores que buscam alternativas ao cigarro eletrônico.
Defensores do produto costumam descrevê-lo como “estimulante natural”, argumento baseado na presença residual de nicotina em alimentos como tomate e berinjela. Especialistas, porém, destacam que a quantidade encontrada nesses vegetais é infinitamente menor do que a contida nos sachês industrializados.
Marketing segmentado
Enquanto startups apresentam o produto de forma explícita como recurso de performance, gigantes do tabaco optam por mensagens indiretas. É o caso da Zyn, marca líder de sachês pertencente à Philip Morris International, cujas campanhas mostram pessoas praticando esportes ao ar livre para sugerir estilo de vida ativo.
A narrativa de melhoria cognitiva e física tem atraído principalmente jovens adultos e universitários. Reportagem da revista norte-americana Stat detalha como o público adolescente passou a recorrer até a gomas de nicotina para tentar driblar a dependência de cigarros eletrônicos.
Efeitos colaterais e dependência
Médicos alertam que a nicotina, ainda que inalada, mascarada ou em sachês, continua altamente viciante. Entre os efeitos adversos estão aumento de pressão arterial e frequência cardíaca, lesões em boca e esôfago, além de processos inflamatórios e estresse oxidativo. A longo prazo, o uso frequente pode levar a quadros de dependência comparáveis aos observados entre fumantes tradicionais.
Organizações de saúde pública norte-americanas monitoram a popularização dos snus nas redes sociais e avaliam a necessidade de campanhas específicas para contrapor as alegações de melhor desempenho. No Brasil, a Anvisa reforça que qualquer produto com nicotina sem registro é considerado ilegal e sujeito a apreensão.
Por enquanto, o cenário expõe um conflito entre a queda histórica do tabagismo convencional e a ascensão de novas formas de consumo de nicotina impulsionadas por influenciadores, marketing direcionado e facilidade de compra on-line.
Com informações de G1
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