São Paulo – O Ministério Público de Nice, no sul da França, abriu um inquérito para apurar a morte do influenciador Raphaël Graven, 46 anos, conhecido nas redes como Jean Pormanove ou JP. Ele foi encontrado sem vida na madrugada de segunda-feira, 18 de agosto, enquanto participava de uma transmissão ao vivo pela plataforma Kick.
Violência registrada em vídeo
Segundo relatos de usuários, o vídeo mostrou Graven inconsciente sob um edredom, em um quarto onde também estavam dois homens identificados pelos pseudônimos Narutovie e Safine. Em determinado momento, um deles atirou uma pequena garrafa plástica na direção do streamer. A gravação se espalhou rapidamente pela internet antes de ser retirada.
De acordo com o órgão de acusação, a morte ocorreu “em um espaço alugado para sessões ao vivo de videogame”. As investigações consideram suspeitas de “violência coletiva intencional contra pessoa vulnerável” e de divulgação de imagens relacionadas a agressões.
Transmissões com conteúdo abusivo
Graven acumulava mais de 500 mil inscritos na Kick e já aparecia em vídeos nos quais sofria humilhações físicas e verbais, prática frequente no canal Le Lokal. Em dezembro de 2024, uma reportagem do site Médiapart descreveu o esquema como um “negócio de abuso online”, no qual Narutovie e Safine teriam monetizado agressões contra o próprio Graven e contra Coudoux, pessoa com deficiência.
A investigação jornalística listou episódios de jatos de água e tinta, tapas, estrangulamentos e quadros como “Números e Analfabetos” e “Pergunta para um Mongol”, criados para ridicularizar as vítimas diante de milhares de espectadores.
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Cobrança por responsabilidade
A ministra-delegada para Inteligência Artificial e Tecnologia Digital da França, Clara Chappaz, classificou o caso como “horror absoluto” e acionou o serviço estatal Pharos, que recebe denúncias de crimes online. Ela também solicitou explicações à Kick. “A responsabilidade das plataformas pela circulação de conteúdo ilegal é uma obrigação legal”, afirmou.
Imagem: Felca via g1.globo.com
Procurada, a Kick declarou que não comentaria o caso por “política de privacidade”. Em seus termos de uso, a empresa afirma proibir conteúdos que “retratem ou incitem violência hedionda”, mas é conhecida por regras de moderação mais flexíveis do que outras plataformas de streaming.
As autoridades francesas continuam reunindo depoimentos e analisando as imagens para determinar a causa exata da morte e a eventual responsabilização dos envolvidos.
Com informações de G1
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