Influencer investigado por usar IA para sexualizar fiéis da CCB já criticava roupas usadas por jovens nas igrejas

William Kevim
4 Min Leitura

TRANSMISSÃO: SBT | YouTube | Páginas de Jefferson Souza (YouTube)

Investigação e denúncias

A Polícia Civil de São Paulo investiga o influenciador Jefferson de Souza, de 37 anos, por suspeita de usar inteligência artificial (deepfake) para manipular imagens e sexualizar jovens em cultos da Congregação Cristã do Brasil (CCB). O caso passou a ser apurado em fevereiro pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em São Mateus, Zona Leste, e rendeu um inquérito com acompanhamento do Ministério Público e da Justiça.

O que é investigado

Jefferson é investigado pela suposta simulação, por meio digital, de cena de sexo ou pornografia envolvendo menor de 18 anos, enquadrada no artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), cuja pena varia de 1 a 3 anos de reclusão, além de multa. A polícia também apura possíveis crimes de difamação contra outras jovens expostas.

Como o material foi produzido e divulgado

Segundo registros e declarações, o influenciador utilizou fotos de frequentadoras da igreja como base para criar vídeos com técnicas de IA que as colocavam em cenas de caráter sexualizado. Jefferson mantém perfis no TikTok, Instagram, Facebook e o canal “Humor do Crente” no YouTube, com mais de 11 mil inscritos; nas plataformas combinadas ele soma quase 50 mil seguidores. Em publicações, ele chegou a descrever o procedimento — pegar a foto, aplicar ferramentas de IA e animar as imagens — e utiliza caracterizações que imitam o apresentador Silvio Santos, identificando-se por vezes como “Silvio Souza”.

Vítimas e impacto

Algumas das pessoas cujas imagens foram manipuladas são adolescentes — uma delas tem 16 anos e conversou com a reportagem. A jovem e seus pais registraram queixa na 8ª DDM, dando início às investigações. As vítimas relataram constrangimento, tentativa de remoção dos conteúdos e preocupação com impactos no convívio social.

Posicionamentos

Em depoimentos, Jefferson chegou a negar as acusações, mas também afirmou publicamente e declarou à polícia que usava fotografias das fiéis como base para produzir os conteúdos com deepfake. Em vídeo publicado no domingo de Páscoa, 5 de abril, o influenciador pediu desculpas por críticas feitas à CCB, sem, porém, mencionar explicitamente os deepfakes com adolescentes. A defesa alegou que os conteúdos teriam caráter satírico e de crítica de costumes, sem intenção de promover exploração sexual.

Reações da igreja, plataformas e especialistas

A Congregação Cristã do Brasil informou que não possui registro formal de membros e declarou apoio à adoção das medidas legais cabíveis. O SBT foi procurado para esclarecer possível uso de seu logotipo nas manipulações, mas não respondeu até a última atualização. O TikTok afirmou aplicar tolerância zero para exploração sexual infantil e removeu conteúdos desse tipo; o YouTube disse ter retirado vídeos que violavam suas diretrizes; a Meta não se manifestou.

Especialistas ouvidos destacaram que o uso de IA não exime responsabilidades de quem cria ou divulga material manipulado. Pesquisadores e entidades de defesa apontaram que a responsabilização deve mirar os autores e que vítimas não devem ser culpabilizadas.

A apuração policial segue, com tentativa de identificar e localizar outras possíveis vítimas dos vídeos manipulados.

Compartilhe essa Notícia
William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.