A Groenlândia manifestou gratidão aos países europeus neste domingo (18) pelo respaldo contínuo à ilha, mesmo depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que pretende impor tarifas punitivas a oito aliados do continente. A medida é uma retaliação à recusa europeia em permitir que Washington compre o território administrado pela Dinamarca.
Nos últimos dias, França, Alemanha, Reino Unido e outras nações do bloco enviaram pequenos contingentes militares para a Groenlândia a pedido de Copenhague. O deslocamento, segundo autoridades dinamarquesas, tem o objetivo de reforçar a segurança regional e sublinhar a soberania dinamarquesa sobre a ilha.
O gesto militar europeu provocou resposta imediata da Casa Branca. Trump ameaçou adotar tarifas comerciais contra os oito países envolvidos até que receba autorização para negociar a aquisição do território ártico. Diante da escalada, líderes europeus alertaram no sábado para o risco de uma “perigosa espiral descendente”, mas reiteraram que não abrirão mão de apoiar a Groenlândia nem a Dinamarca.
A ministra groenlandesa responsável por Negócios, Energia e Minerais, Naaja Nathanielsen, divulgou nota mais cedo agradecendo a solidariedade do continente. “Vivemos em tempos extraordinários que exigem não apenas decência, mas também muita coragem”, declarou a integrante do gabinete local. Ela acrescentou que o posicionamento europeu demonstra compromisso com a estabilidade no Ártico.
Em Bruxelas, embaixadores dos 27 Estados-membros da União Europeia reuniram-se neste domingo para discutir uma resposta conjunta às ameaças tarifárias. Fontes diplomáticas indicam que as conversas giram em torno de possíveis contramedidas comerciais e de esforços para evitar que a disputa comprometa a coesão interna do bloco.
Trump sustenta que a Groenlândia é estratégica para a defesa dos Estados Unidos por sua localização no extremo norte e pelas reservas minerais em seu subsolo. O chefe do Executivo norte-americano também afirmou não descartar o uso da força, declaração que acendeu o alerta entre membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre a possibilidade de confronto entre aliados.
Até o momento, o governo dinamarquês não sinalizou qualquer intenção de negociar a venda e enfatiza que a população local tem direito à autodeterminação. Autoridades em Copenhague consideram “inaceitável” a imposição de tarifas norte-americanas como instrumento de pressão.
Enquanto as discussões prosseguem, representantes políticos groenlandeses reforçam que o principal interesse da ilha é manter relações pacíficas e equilibradas com todas as potências envolvidas, sem comprometer sua autonomia nem a soberania dinamarquesa.
Com informações de Agência Brasil
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