O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (15) que o tratado comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia deve começar a valer ainda em 2026, no segundo semestre. Segundo o ministro, o documento, que esteve em negociação durante 25 anos, será assinado formalmente no próximo sábado (17).
Alckmin detalhou o cronograma durante participação no programa de rádio Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Ele explicou que, depois da assinatura, o texto seguirá para apreciação do Parlamento Europeu e, no Brasil, será submetido ao Congresso Nacional. A expectativa do governo federal é concluir a tramitação legislativa até o fim do primeiro semestre, permitindo que o acordo entre em vigor imediatamente após a publicação das respectivas leis de internalização.
O ministro classificou a iniciativa como o maior pacto comercial entre blocos econômicos no mundo, abrangendo um universo de 720 milhões de consumidores e movimentando um mercado estimado em US$ 22 trilhões. Integram o Mercosul Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e, desde 2024, a Bolívia. Do outro lado, participam 27 países europeus.
Alckmin destacou que a eliminação gradual de tarifas criará um regime de livre comércio com regras definidas, ampliando o acesso de produtos sul-americanos ao mercado europeu e, simultaneamente, permitindo que mercadorias europeias cheguem com preços mais competitivos à região. Para ele, a redução de barreiras beneficiará o consumidor, que encontrará itens de melhor qualidade e custo menor, além de estimular a geração de empregos associados às exportações.
O vice-presidente observou ainda que, num cenário internacional marcado por conflitos e pela intensificação de medidas protecionistas, a conclusão do acordo Mercosul-União Europeia demonstra que o diálogo pode prevalecer, reforçando o multilateralismo e a cooperação comercial.
Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Sem avançar sobre detalhes operacionais, Alckmin disse confiar na aprovação célere do texto pelos parlamentos envolvidos, sublinhando que muitas empresas dependem do comércio exterior para manter suas atividades. “Se o mercado interno não for suficiente, a saída é exportar”, comentou o ministro, citando casos de companhias que só se mantêm viáveis quando vendem para fora do país.
Os governos dos países participantes programam eventos paralelos à assinatura para apresentar oportunidades de negócios e esclarecer etapas de implementação. A partir da entrada em vigor, prazos específicos serão estabelecidos para a queda total ou parcial de tarifas em diversos setores, como agronegócio, indústria automotiva e tecnologia.
Com informações de Agência Brasil
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