O governo brasileiro expressou preocupação com a possibilidade de tarifas adicionais de 25% sobre produtos do Brasil, propostas pelos Estados Unidos. Em uma nota divulgada na terça-feira, 02 de junho de 2026, o governo lamentou que o diálogo bilateral esteja sendo prejudicado por interesses particulares e eleitorais da família Bolsonaro.
A nota destaca que não há justificativa para tais medidas contra o Brasil, mencionando que os EUA têm um superávit de US$ 424,5 bilhões nos últimos 15 anos e que 76% das importações dos EUA entraram no Brasil sem impostos no ano passado. O governo também mencionou que, caso necessário, pode invocar a Lei da Reciprocidade para contrabalançar essas ações.
Apesar das tensões, o governo reafirma a expectativa de que as tarifas não sejam aplicadas e que tomará medidas para minimizar os danos potenciais. O vice-presidente Geraldo Alckmin, em entrevista à imprensa, enfatizou que o diálogo com os Estados Unidos continua, mesmo diante das dificuldades.
“Diálogo que já vinha ocorrendo, mas sempre que o diálogo avança, infelizmente falsos patriotas sabotadores prejudicam, colocando seus interesses acima do interesse do país”, afirmou Alckmin.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, também comentou a situação, ressaltando que já ocorreram quatro reuniões desde o encontro entre os presidentes Lula e Trump. Ele alertou que os setores de máquinas e equipamentos seriam os mais prejudicados caso as tarifas sejam realmente implementadas.
“Isso tem valor agregado e traz muito prejuízo, como disse o vice-presidente, para emprego, renda e indústrias”, acrescentou o ministro.
Além do setor de máquinas, outros segmentos como plástico, madeira, papel, calçados e frutos do mar também estão entre os mais vulneráveis a essas possíveis tarifas. O governo acredita que a proposta não será concretizada, mas se prepara para agir se necessário.
A nota do governo também mencionou que a investigação comercial que originou essa proposta de tarifas começou no ano passado, impulsionada por provocações da família Bolsonaro, e considera isso uma ingerência nos assuntos internos do Brasil. O senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, negou ter solicitado a taxação de empresas brasileiras na última terça-feira.
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