O Google anunciou ter encerrado as atividades de um grupo hacker chinês que, durante quase uma década, infiltrou-se em sistemas de governos e empresas de ao menos 42 países. Entre os alvos estavam operadoras de telecomunicações no Brasil, onde informações pessoais de usuários foram acessadas.
Identificado como UNC2814, também chamado de Gallium, o coletivo operava desde meados de 2014, segundo o Threat Intelligence Group (GTIG) da companhia. A investigação foi conduzida pelo núcleo de inteligência do Google em parceria com a Mandiant, subsidiária dedicada à cibersegurança, e contou ainda com colaboradores não identificados.
Método de invasão
O modo de atuação começava com a exploração de falhas já conhecidas na comunicação entre redes internas e a internet. Após obter acesso inicial, os invasores implantavam arquivos maliciosos capazes de assumir controle total dos dispositivos comprometidos e de se conectar a uma central de comando e controle.
Uma das principais ferramentas empregadas era o malware Gridtide, projetado para estabelecer ligação direta entre o equipamento da vítima e planilhas hospedadas no Google Sheets. Nessas planilhas, os criminosos publicavam códigos que eram interpretados pelo software malicioso como instruções, mascarando o tráfego suspeito em meio ao fluxo legítimo dos serviços da plataforma.
O Google enfatizou que não houve falhas nos próprios produtos da empresa. De acordo com o comunicado, os hackers “abusaram da funcionalidade legítima da API do Google Sheets para disfarçar o tráfego de comando e controle”, sem comprometer a infraestrutura do serviço.
Dados acessados no Brasil
Nos sistemas brasileiros, os invasores conseguiram visualizar dados sensíveis, entre eles nome completo, número de telefone, data e local de nascimento, além de registros de identidade e título de eleitor. Em alguns casos, também foram monitorados registros de chamadas e mensagens SMS armazenados pelas operadoras. A companhia não revelou quais empresas foram afetadas nem quantos usuários tiveram informações expostas.
Interrupção e repercussão
O GTIG vinha monitorando o UNC2814 desde 2017 e estima que o grupo tenha atuado em pelo menos outros 20 países além dos 42 já confirmados. Para conter a ação, o Google desativou todas as contas vinculadas às planilhas fraudulentas e encerrou os projetos associados, inviabilizando a infraestrutura usada nas campanhas de espionagem.
Procurada, a embaixada da China nos Estados Unidos declarou que a segurança cibernética é um desafio comum e deve ser tratada por meio de “diálogo e cooperação”. O governo chinês, segundo a nota, “se opõe e combate consistentemente as atividades de hackers, ao mesmo tempo em que rejeita o uso de questões de segurança cibernética para difamar ou caluniar a China”.
Com informações de G1
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