O Google fechou acordo preliminar no valor de US$ 68 milhões para pôr fim a uma ação coletiva que acusa o Google Assistente de registrar conversas de usuários sem consentimento. O documento foi protocolado na última sexta-feira, 23 de janeiro, na Corte Federal de San Jose, Califórnia, e aguarda a análise da juíza distrital Beth Labson Freeman.
Segundo os autos, o acerto contempla todos os consumidores que adquiriram dispositivos da empresa e teriam sido expostos a “ativações falsas” da ferramenta a partir de 18 de maio de 2016. Os autores do processo afirmam que o assistente virtual passou a gravar diálogos privados mesmo quando não eram pronunciados os comandos de ativação “Hey, Google” ou “Ok, Google”. As gravações, alegam, teriam sido empregadas para direcionamento de anúncios e para treinamento de algoritmos de reconhecimento de voz.
A gigante de Mountain View nega irregularidades, mas decidiu negociar para evitar os custos e a imprevisibilidade de um litígio prolongado. Em petição apresentada à Justiça, a companhia declarou que o acordo representa “uma solução prática para todas as partes”. Questionado pela agência Reuters, o Google não se manifestou sobre os detalhes do caso.
Quem está incluído no acordo
Todos os compradores de alto-falantes inteligentes da linha Google Home, celulares Android com o recurso integrado e demais produtos compatíveis poderão solicitar compensação, desde que comprovem ter sido afetados pelas ativações involuntárias dentro do período estipulado. O valor individual a ser pago ainda será definido após a identificação do número de demandantes elegíveis.
Histórico de reclamações
Relatos sobre o comportamento inesperado do assistente foram divulgados por sites especializados, entre eles TechCrunch, que noticiou casos de gravações arquivadas nos servidores do Google sem autorização explícita. Para os reclamantes, a prática viola leis estaduais e federais de privacidade, além de resultar em uso indevido de dados sensíveis.
Imagem: John Tekeridis/Pexels
Precedentes na indústria
A disputa judicial contra o Google não é isolada. Outras empresas de tecnologia enfrentam questionamentos semelhantes sobre suas plataformas de voz. Em um acordo fechado há cerca de um ano, a Apple aceitou pagar US$ 95 milhões para resolver queixas relacionadas à assistente Siri, lembram documentos citados pelo site The Verge.
O próximo passo no caso do Google será a audiência para avaliação do acordo. Se a juíza Freeman der sinal verde, iniciará o processo de notificação dos consumidores e o cronograma de pagamentos. Até lá, a empresa continuará se defendendo de que o funcionamento do Assistente respeita parâmetros de privacidade previstos em suas políticas.
Com informações de G1
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