Um vídeo que circula desde o início de fevereiro nas redes sociais utiliza a imagem do ator Marcos Palmeira para solicitar doações destinadas, supostamente, a custear ações judiciais relacionadas à morte do cão comunitário Orelha, ocorrida em Florianópolis. A publicação, que ganhou repercussão no Facebook e no Instagram, é falsa e foi criada com recursos de inteligência artificial (IA).
Como é o material enganoso
O conteúdo apresenta a tela dividida em duas partes. À direita, aparece um vídeo de Palmeira falando diretamente à câmera; à esquerda, vê-se a foto de um cachorro parecido com Orelha e retratos borrados de quatro pessoas. No topo, surge o texto “Vamos mostrar que isso não passa batido”, apelando para a mobilização popular. Na mensagem, a voz atribuída ao ator convida o público a “clicar no link abaixo” e fazer contribuições que variam de R$ 30 a R$ 1 mil, alegando haver “menos de sete dias” para garantir que o caso não seja esquecido.
O link direciona o internauta a uma plataforma de vaquinha virtual que exige pagamento via PIX. Ferramentas de segurança, como o serviço ScamAdviser, classificam o domínio como novo, pouco conhecido e com índice de confiança baixo. O site não apresenta CNPJ, endereço físico, responsável legal nem utiliza gateways de pagamento reconhecidos, indícios comuns de golpe.
Detecção de manipulação
A equipe do serviço de checagem Fato ou Fake submeteu o vídeo à plataforma InVID, especializada na identificação de deepfakes. O sistema apontou 98% de probabilidade de manipulação na imagem. Já a ferramenta Hiya, empregada para analisar o áudio, indicou 92% de chances de a voz ter sido gerada artificialmente.
Posicionamento de Marcos Palmeira
Procurado pelo Fato ou Fake, Marcos Palmeira enviou, por meio de sua assessoria, uma nota desmentindo qualquer ligação com a iniciativa e lamentando o uso de uma causa legitimamente importante para aplicar golpes. “Os criminosos se apropriaram de uma causa que eu apoio para enganar as pessoas. Temos de denunciar e combater esse tipo de fraude”, disse o ator, que também alertou para o aumento de conteúdos manipulados neste ano eleitoral.
Imagem: Reprodução
Contexto do caso Orelha
Orelha vivia na Praia Brava, em Florianópolis, e precisou ser submetido à eutanásia em 5 de janeiro, devido à gravidade dos ferimentos provocados por agressões. No dia 3 do mesmo mês, a Polícia Civil de Santa Catarina identificou um adolescente como responsável pelos maus-tratos e solicitou a internação provisória do jovem. A comoção popular em torno do episódio tem sido usada por golpistas para atrair doadores desavisados.
Diante da proliferação de fraudes que exploram emoções e urgência, especialistas recomendam verificar a autenticidade de campanhas antes de efetuar qualquer transação financeira, conferindo CNPJ, reputação do site e a identidade dos responsáveis.
Com informações de G1
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