Mulheres de 23 a 32 anos criaram uma rede virtual para desmascarar um homem que se apresenta como estudante de medicina, investidor e kitesurfista em Instagram, TikTok e aplicativos de relacionamento. O suspeito, segundo o relato das vítimas, foca em jovens de famílias abastadas e repete a tática conhecida como “golpe do amor”, modalidade de estelionato que ganhou força nos últimos três anos.
Como o golpe acontece
O esquema consiste em envolver a vítima emocionalmente para obter vantagens financeiras. A aproximação romântica pode durar meses, o que reforça a confiança da pessoa enganada. Em geral, o golpista:
- usa fotos roubadas de terceiros e perfis falsos;
- afirma ser estrangeiro e planejar mudança para o Brasil;
- mantém contato em inglês ou diz traduzir as mensagens;
- utiliza número de WhatsApp internacional;
- evita encontros presenciais e chamadas de vídeo prolongadas;
- introduz pedidos de dinheiro ou ofertas de investimento em algum momento da conversa.
Casos recentes incluem pedidos de R$ 25 mil para “liberar” recursos retidos, falsas corretoras de criptomoedas e até apelos para pagar taxas alfandegárias de supostos presentes. Em 2021, a Receita Federal registrou alta nas queixas de vítimas que transferiram valores para liberar encomendas inexistentes nos aeroportos.
Enquadramento jurídico
De acordo com o advogado criminalista Pedro Martinez, o crime é registrado como estelionato sentimental. “A prática sempre existiu, mas as redes sociais facilitaram a criação de contextos sem contato presencial. Na esfera cível, a vítima pode buscar indenização por dano moral quando o autor é localizado”, explica.
Dicas para evitar o golpe
- Não compartilhe dados bancários nem faça transferências para pessoas conhecidas apenas on-line;
- verifique fotos com ferramentas como Google Lens ou Live Text;
- utilize recursos de verificação de identidade dos aplicativos, como o selo azul do Tinder;
- exija chamadas de vídeo para confirmar a aparência da pessoa;
- denuncie perfis suspeitos às plataformas e às autoridades;
- não acredite em histórias de remessas retidas na alfândega — tributos não são pagos por transferência a contas de terceiros;
- invista em criptomoedas apenas por corretoras brasileiras registradas;
- evite clicar em links desconhecidos.
O que fazer se já foi alvo
Vítimas devem registrar ocorrência na delegacia, preferencialmente nas unidades de crimes cibernéticos, bloquear o golpista e denunciar o perfil nas plataformas. Quanto mais rápido houver comunicação às autoridades, maior a chance de interromper a ação e proteger outras pessoas.
As jovens que se uniram para expor o falso estudante de medicina seguem reunindo provas e encaminhando o material à polícia.
Fonte: Noticias ao Minuto
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