Galesa de 19 anos tem fotos usadas em golpe de catfishing que atraiu mais de 100 mil seguidores

William Kevim
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TRANSMISSÃO: Globo

Sasha-Jay Davies, de 19 anos, moradora de Aberdare, no sul do País de Gales, vive há quase quatro anos sob as consequências de um roubo de identidade virtual. Fotografias retiradas de seus perfis pessoais foram utilizadas para criar contas falsas que, segundo levantamento da própria vítima, reuniram 81 mil seguidores no TikTok e outros 22 mil no Instagram.

A jovem conta que, desde 2022, cerca de 20 homens já a abordaram pessoalmente em supermercados, bares e ruas, acusando-a de marcar encontros românticos e não comparecer. “É assustador ser confrontada por algo que nunca fiz”, relatou. O medo de novas abordagens levou Davies a reduzir drasticamente sua rotina fora de casa.

Investigação policial em andamento

Depois de registrar múltiplas denúncias, Davies recebeu da South Wales Police um número de ocorrência; o caso passou a ser oficialmente investigado como roubo de identidade. A corporação confirmou que mantém a vítima informada sobre o andamento das apurações.

Expansão do golpe

As primeiras postagens fraudulentas surgiram no TikTok quando Davies tinha 16 anos e iniciava a faculdade. Em seguida, imagens dela invadiram aplicativos de namoro e o Instagram, onde o impostor também criou perfis de amigas para dar aparência de legitimidade às interações.

Além de copiar fotos, o responsável publicou conteúdo ofensivo. Um falso certificado de câncer pancreático relacionado ao pai falecido da jovem e mensagens de teor racista foram compartilhados, afetando, segundo ela, “caráter e reputação”.

Vítimas secundárias

Um dos enganados foi Mark (nome fictício), de 22 anos, morador de Essex. Após um mês de conversas com a suposta “Sophie Kadare”, ele descobriu a fraude ao deparar com um vídeo da verdadeira Sasha-Jay Davies no TikTok. Ao confrontar o perfil falso, foi imediatamente bloqueado.

Responsabilidade das plataformas

O Instagram informou ter removido a conta falsa, enquanto o TikTok afirmou que suas diretrizes proíbem perfis que se passem por terceiros. As duas plataformas se recusaram a comentar detalhes específicos. Somente após contato da imprensa é que a conta no TikTok foi excluída.

Catfishing e legislação britânica

Hayley Laskey, do UK Safer Internet Centre, explicou que o catfishing nem sempre configura crime no Reino Unido, mas pode enquadrar-se em normas como o Fraud Act 2006 quando há prejuízo financeiro ou à reputação. O Online Safety Act 2023 obriga as redes sociais a agir contra conteúdos ilegais, incluindo ameaças e fraudes.

O advogado Yair Cohen, especializado em segurança digital, avalia que há base para caracterizar assédio no caso de Davies, pois a conduta “claramente visa causar alarme e sofrimento”. Ele observa que golpistas costumam prosseguir com a farsa “até o amargo fim”, o que tende a facilitar a identificação dos responsáveis.

Alerta e pedido de mudanças

Davies decidiu tornar públicas suas experiências para alertar usuários e pressionar por mecanismos obrigatórios de verificação de identidade. “Um perfil falso pode destruir reputações, relacionamentos e a saúde mental”, afirmou. A jovem orienta que perfis sejam mantidos privados, que denúncias sejam feitas imediatamente e que nenhuma informação pessoal seja entregue sem verificação.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.