Quatro pessoas morreram e outras seis ficaram feridas depois que unidades de patrulha de fronteira de Cuba abriram fogo contra uma lancha registrada na Flórida, na noite de quarta-feira (25). A embarcação havia ingressado sem autorização em águas territoriais cubanas, informou o Ministério do Interior em comunicado transmitido pela Band.
Segundo a nota oficial, o confronto começou quando cinco agentes cubanos se aproximaram da lancha, que se encontrava a menos de uma milha náutica do canal de Falcones Cay, na costa norte da ilha, cerca de 200 quilômetros a leste de Havana. De acordo com o governo, ocupantes da lancha dispararam primeiro, ferindo o comandante da patrulha, o que motivou a reação que resultou nas quatro mortes.
Os seis sobreviventes receberam atendimento médico em unidade hospitalar cubana. Nenhum dos mortos ou feridos foi identificado até o momento. A embarcação, entretanto, está registrada no estado da Flórida sob o número FL7726SH. O ministério afirmou que uma investigação está em curso para esclarecer as circunstâncias exatas do episódio.
Repercussão nos Estados Unidos
Em Washington, o secretário de Estado Marco Rubio declarou a repórteres que não havia participação de agentes norte-americanos na operação. “Teremos nossas próprias informações sobre isso, vamos descobrir exatamente o que aconteceu”, disse. Ele acrescentou que a embaixada dos Estados Unidos em Havana tenta verificar de forma independente os detalhes.
Políticos da Flórida manifestaram desconfiança em relação à versão apresentada por Havana. O procurador-geral estadual, James Uthmeier, determinou a abertura de inquérito conjunto com autoridades federais. Já o deputado republicano Carlos Gimenez solicitou ao Departamento de Estado e às Forças Armadas dos EUA uma investigação para apurar se alguma das vítimas possuía cidadania norte-americana ou residência legal.
Contexto de tensão
O incidente ocorre em meio ao endurecimento das sanções de Washington, que bloquearam praticamente todos os embarques de petróleo para a ilha. Além disso, forças norte-americanas capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas, em 3 de janeiro, removendo um aliado crucial de Havana. Rubio reforçou que o atual cenário é “insustentável” e defendeu mudanças “dramáticas” em Cuba.
Confrontos envolvendo lanchas que promovem o contrabando de pessoas não são inéditos. Em 2022, uma patrulha cubana matou um suspeito em circunstância semelhante, episódio que fez parte das 13 embarcações procedentes dos Estados Unidos interceptadas no primeiro semestre daquele ano. Apesar da histórica relação de hostilidade, os dois países já cooperaram em ações contra tráfico de drogas e de pessoas no Estreito da Flórida, sobretudo durante a reaproximação ocorrida no governo Barack Obama.
No comunicado mais recente, Havana reiterou “o compromisso de proteger as águas territoriais” e classificou a defesa nacional como pilar essencial para a preservação da soberania e da estabilidade regional.
Com informações de Agência Brasil
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