Lula relaciona fome e conflitos armados na abertura do Fórum Mundial da Alimentação

Robson Alves
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 13 de outubro de 2025, que “a fome é irmã da guerra”, ao discursar na cerimônia de abertura do Fórum Mundial da Alimentação, em Roma. Segundo ele, tanto confrontos bélicos, “travados com armas e bombas”, quanto barreiras comerciais impostas por nações ricas, “por meio de tarifas e subsídios”, agravam a insegurança alimentar no planeta.

Lula citou a devastação provocada pelos conflitos armados, que além de causar sofrimento humano e destruir infraestrutura, desorganizam cadeias de suprimentos de insumos e alimentos. O presidente também mencionou medidas protecionistas que, a seu ver, desestruturam a produção agrícola nos países em desenvolvimento.

“Da tragédia em Gaza à paralisia da Organização Mundial do Comércio, a fome tornou-se sintonia do abandono das regras e das instituições multilaterais”, declarou.

Defesa do multilateralismo

Ao lembrar os 80 anos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Lula destacou o papel do organismo, do Programa Mundial de Alimentos e do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola. “Não há dúvidas de que o mundo seria um lugar pior sem o multilateralismo”, disse, observando que a atuação da FAO levou vários países a reconhecerem o direito à alimentação em suas legislações nacionais.

O chefe do Executivo recordou ter participado, em 2015, das comemorações pelos 70 anos da FAO. Na época, segundo ele, prevalecia o “entusiasmo” com a adoção da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. “Hoje, tanto nossa capacidade de agir coletivamente quanto o otimismo que nos animava estão abalados. Os desafios se aprofundaram, mas não temos alternativa senão persistir. Enquanto houver fome, a FAO permanecerá indispensável”, concluiu.

Fonte: Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.